Doação de sangue animal salva vidas no Rio; saiba como ajudar

Cães e gatos atendidos em clínicas veterinárias do Rio de Janeiro dependem de doações de sangue para sobreviver a atropelamentos, cirurgias de emergência e doenças graves. A baixa oferta de bolsas nos bancos veterinários mobiliza tutores em campanhas solidárias pela cidade.

Ação voluntária na Tijuca reforça a importância da doação de sangue pet

Na Zona Norte da capital fluminense, tutores e protetores têm se organizado para abastecer os estoques locais. Na última semana, uma campanha no bairro da Tijuca reuniu animais voluntários sob a liderança de Danielle Cristo e seu cão de suporte emocional, o golden retriever Rudá, que atua no projeto Cãonexão Saúde RJ.

O encontro contou com o suporte da médica-veterinária Sarynna Sally Pimenta, do banco de sangue Vital Plasma. A ação juntou diversos animais, como os cães Paçoca, Marley, Luck, Florzinha e Luna, demonstrando na prática como a mobilização entre vizinhos e tutores faz a diferença na rotina das internações veterinárias.

Danielle é uma defensora antiga da causa animal no estado. Sua trajetória motivou a aprovação da Lei Estadual nº 9.317/2021, a chamada Lei Prince. A legislação garante a circulação de cães de suporte emocional com seus tutores em locais públicos e privados no Rio de Janeiro, fortalecendo a integração dos animais na sociedade.

Quais cães e gatos podem ser doadores?

Assim como ocorre na medicina humana, a doação veterinária exige critérios técnicos rigorosos para garantir a integridade de quem doa e de quem recebe. Os animais precisam estar saudáveis, vacinados e livres de parasitas externos, como pulgas e carrapatos.

Para os cachorros, a exigência padrão dos bancos de sangue envolve idade entre 1 e 8 anos e peso corporal mínimo em torno de 25 quilos. O temperamento dócil é indispensável, pois o procedimento não utiliza sedação pesada na maioria dos casos.

No caso dos felinos, o peso mínimo exigido costuma ser de 4 a 5 quilos, também dentro da faixa etária de 1 a 8 anos. Além disso, as fêmeas de ambas as espécies não podem estar prenhas nem no período de cio no dia da coleta.

Como funciona a triagem e quais exames são feitos?

Antes de retirar qualquer quantidade de sangue, a equipe veterinária realiza uma bateria de exames laboratoriais no candidato. O tutor não paga por essas avaliações, o que serve também como um check-up gratuito para o animal voluntário.

Nos cães, são feitos testes de tipagem sanguínea, hemograma completo e exames para detectar doenças graves transmitidas por carrapatos e mosquitos, como erliquiose, babesiose e leishmaniose. Caso o animal apresente qualquer alteração, a doação é suspensa de imediato.

Para os gatos, os testes laboratoriais obrigatórios incluem a checagem de vírus fatais, como o da Imunodeficiência Felina (FIV) e o da Leucemia Felina (FeLV), além de infecções causadas por hemoplasmas. A compatibilidade precisa ser confirmada em laboratório antes de cada transfusão.

Por que a rotina das clínicas depende dos voluntários?

O sangue coletado tem prazo de validade curto na refrigeração, o que impede estoques muito longos. Quando um animal chega atropelado na emergência ou sofre de anemia severa provocada pela doença do carrapato, a bolsa precisa estar disponível no mesmo instante.

Muitas famílias e protetores independentes da Baixada Fluminense e da capital enfrentam dificuldades para custear o tratamento quando o banco de sangue está vazio. A falta de doadores eleva os custos operacionais e coloca em risco a vida dos bichos internados.

A coleta dura poucos minutos, é feita com materiais descartáveis e não prejudica a saúde do doador. O organismo do cão ou gato repõe o volume retirado rapidamente, e o animal recebe água e petiscos logo após o término do procedimento.

Onde encontrar postos de coleta e como cadastrar seu pet?

Quem deseja cadastrar o animal de estimação como doador voluntário no Rio de Janeiro pode entrar em contato direto com serviços especializados de hemoterapia veterinária, como o Vital Plasma e hospitais universitários de Medicina Veterinária da região metropolitana.

Para o atendimento, o responsável deve apresentar a carteira de vacinação atualizada do pet, comprovante de vermifugação em dia e documento de identidade com foto do tutor. O agendamento prévio é necessário para a realização da triagem clínica.

Manter o contato ativo com clínicas do seu bairro também ajuda: muitas equipes mantêm listas de espera emergenciais e acionam os tutores cadastrados sempre que surge um paciente em estado crítico precisando de transfusão imediata.

Limpatech