Didê, ex-presidente do Instituto Rio Metrópole, é preso em operação do MP por suspeita de fraudar licitações e desviar R$ 86 milhões
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Ouroboros, visando desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro. As investigações apontam para um esquema que teria movimentado cerca de R$ 86 milhões em contratos considerados ilegais firmados pelo Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia vinculada ao Governo do Estado.
Segundo os investigadores, parte dos recursos desviados era posteriormente sacada em espécie, utilizando uma estrutura que envolvia empresas contratadas, subcontratações fictícias e operações financeiras para ocultar a origem do dinheiro. Até o momento, cinco pessoas foram presas, incluindo o ex-presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê.
A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), também apresentou denúncia criminal contra 11 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Conforme informação divulgada pelo MPRJ, os mandados cumpridos buscam reunir novas provas e identificar o destino final dos recursos públicos supostamente desviados.
Operação Ouroboros: Detalhes da Investigação e Prisões
A ação do MPRJ resultou no cumprimento de seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão em diversos endereços. Entre os presos estão Amanda Íthala Santos da Paschoa, nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM; Caroline Soares Barros, conhecida como “Mulher da Mala”, ex-fiscal do IRM e apontada como fundadora do Instituto Bio, entidade subcontratada; Davi Perini Vermelho (Didê), o presidente do IRM; Franquis Dias Nepomuceno, delegado de polícia e diretor do IRM, que seria proprietário da empresa de vigilância Rioforte; e Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado e ex-procurador-geral do IRM.
Um dos alvos, Mauricio Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch, encontra-se foragido. As diligências visam aprofundar as investigações sobre o funcionamento do grupo criminoso e rastrear os valores desviados.
Instituto Rio Metrópole: Criação e Suposto Uso para Fraudes
Criado em 2018, o Instituto Rio Metrópole tem como missão coordenar ações de desenvolvimento urbano integrado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Vinculado à Secretaria Estadual de Governo, o órgão atua no planejamento urbano e desenvolvimento metropolitano. No entanto, segundo o Ministério Público, a estrutura do IRM teria sido utilizada para favorecer empresas específicas em processos licitatórios direcionados.
As apurações indicam que, a partir de 2022, o IRM teria realizado licitações fraudulentas para beneficiar as empresas Engeconsult Consultores Técnicos e R Peotta Engenharia e Consultoria. Os processos teriam sido direcionados para garantir a vitória dessas empresas nos certames.
Esquema de Lavagem de Dinheiro e Aditivos Contratuais Milionários
Após receberem os pagamentos do IRM, as empresas Engeconsult e R Peotta teriam firmado contratos fictícios com o Instituto Bio. Esses subcontratos, segundo os investigadores, não correspondiam à prestação efetiva de serviços e serviam apenas para repassar parte dos valores recebidos do poder público. O dinheiro era posteriormente retirado em espécie, com escolta da empresa Rioforte, numa tentativa de dar aparência de legalidade às operações e dificultar o rastreamento.
Outro ponto destacado pela investigação são os sucessivos aditivos contratuais que ampliaram significativamente os valores iniciais. Apenas em 2023, a Engeconsult Consultores Técnicos teria recebido um acréscimo de R$ 58 milhões, elevando o valor contratado. Para os investigadores, esses aditivos compõem a estratégia para aumentar o volume de recursos públicos direcionados ao esquema de lavagem de dinheiro.
Próximos Passos da Investigação
Com a deflagração da Operação Ouroboros, o MPRJ busca aprofundar as investigações, identificar outros possíveis envolvidos e rastrear o destino final dos recursos desviados. As provas coletadas durante o cumprimento dos mandados deverão subsidiar a ação penal e auxiliar na apuração da participação de cada investigado. Os denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.














