O aumento de cadeiras na Câmara dos Deputados gerou uma onda de críticas de parlamentares de diferentes espectros ideológicos, que se posicionaram contra a proposta aprovada nesta terça-feira (7). O projeto de lei prevê a elevação do número de deputados federais de 513 para 531, com um custo estimado de R$ 64,6 milhões por ano aos cofres públicos. A matéria agora segue para análise no Senado.
A proposta foi aprovada por 270 votos a favor e 207 contra, em meio a uma forte reação nas redes sociais e no plenário da Câmara. Deputados do Novo, PL, PSOL e PSB repudiaram a ampliação, alegando falta de responsabilidade fiscal e ausência de justificativa sólida para o aumento.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), apesar da liberação da bancada pelo partido, votou contra a urgência da proposta e expressou sua indignação nas redes sociais. “É um absurdo fazer os brasileiros pagarem mais essa conta”, declarou.
Pelo PSOL, Fernanda Melchionna (RS) comparou o projeto ao orçamento secreto e criticou a falta de prioridades. “Se vivêssemos em uma democracia real, estaríamos preocupados em aumentar o controle social e o poder popular, e não o número de parlamentares”, afirmou.
Também do PSOL, Chico Alencar (RJ) criticou a falta de debate sobre a distorção na proporcionalidade da representação parlamentar. “A proposta não resolve essa distorção, não tem previsão orçamentária e tampouco fonte de custeio. Precisamos de uma reforma política séria”, ressaltou.
A deputada Carla Zambelli (PL-SP), por sua vez, reforçou a necessidade de austeridade. “Neste momento, a população pede mais responsabilidade no uso dos recursos públicos. Não posso compactuar com medidas que aumentam o custo da máquina estatal sem benefícios reais”, disse.
Representando o Novo, Adriana Ventura (SP) foi enfática ao afirmar que a proposta não corrige injustiças. “Esse aumento não tem a ver com justiça, e sim com interesses próprios. A população paulista, que já é sub-representada, continua em desvantagem”, criticou.
O também deputado do Novo, Ricardo Salles (SP), criticou os colegas de bancada que apoiaram o texto. “Já somos o Estado que mais paga impostos e menos recebe de volta, e os 14 ‘paulistas’ que votaram a favor agravaram essa situação”, disparou.
Além das críticas sobre o gasto adicional, os parlamentares contrários também destacam que o aumento não resolve a desproporção de representatividade entre os estados mais e menos populosos — uma das principais distorções do atual modelo.
A medida agora será debatida no Senado, onde poderá sofrer alterações ou ser arquivada. Apesar da aprovação, a insatisfação entre deputados das mais diversas legendas indica que o tema deve continuar sendo alvo de controvérsia nas próximas semanas.














