Deputado preso negociou vagas na educação, segundo investigação da Polícia Federal, que aponta ligação entre o parlamentar Thiago Rangel e um traficante de alta periculosidade. O caso veio à tona após a prisão do deputado nesta terça-feira (5), no âmbito de uma operação que apura irregularidades no estado.
De acordo com as apurações, o parlamentar teria oferecido cargos na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) a Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”. O criminoso é apontado como réu por crimes como homicídio e tráfico de drogas.
A investigação identificou que duas vagas para o cargo de auxiliar de serviços gerais teriam sido destinadas a pessoas indicadas pelo traficante. As informações constam em denúncias e documentos analisados pelas autoridades.
Em conversas interceptadas, Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito do deputado, orienta a reserva das vagas e intermedia o contato entre as partes. Em resposta, o parlamentar teria encaminhado o contato do criminoso e informado a disponibilidade de cargos.
Ainda segundo a Polícia Federal, no mesmo dia em que ocorreu a troca de mensagens, foram enviados nomes para preenchimento das vagas. Posteriormente, houve a inclusão de um terceiro indicado e a substituição de um dos nomes apresentados inicialmente.
Entre os beneficiados, há pessoas com ligação direta com o traficante, incluindo um familiar. As investigações também apontam conexões com outros investigados em operações contra o tráfico de drogas na região de Campos dos Goytacazes.
O caso integra a quarta fase da Operação Unha e Carne, que cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em diversas cidades do estado, como Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de um esquema mais amplo envolvendo direcionamento de contratações em escolas estaduais para empresas ligadas ao grupo investigado. Os suspeitos podem responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
A defesa do deputado afirmou, em nota, que recebeu a operação com surpresa e que ainda está analisando o teor das acusações. O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, diz o comunicado.
O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos à medida que a Polícia Federal avança na análise dos documentos e das conexões apontadas.














