A falha em hidrante relatada por um funcionário da loja Bell’Art passou a integrar a investigação sobre o incêndio que atingiu o Shopping Tijuca. Segundo o depoimento, o equipamento estaria sem água no momento em que o fogo começou a se alastrar no interior do estabelecimento, o que teria dificultado o combate inicial às chamas.
De acordo com o relato prestado à Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi necessário improvisar para tentar conter o incêndio. O funcionário afirmou que uma mangueira precisou ser emendada e que a água utilizada no primeiro momento foi retirada de um quiosque do shopping, diante da impossibilidade de uso do hidrante da loja.
Ainda conforme o depoimento, a tentativa de controlar o fogo foi liderada pelo supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado e pelo brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro, que sobreviveu e segue em recuperação. A brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, que também integrava a equipe de emergência do centro comercial, morreu após a ocorrência.
O funcionário relatou à polícia que, no momento da atuação, os brigadistas não utilizavam roupas adequadas de proteção para combate a incêndio. Segundo ele, outros integrantes da equipe chegaram a alertar sobre o risco e pediram que os brigadistas deixassem o local, mas a permanência se manteve enquanto o fogo avançava.
“Eles estavam sem qualquer roupa de proteção e de combate. Alguns brigadistas pediram para que saíssem da loja, mas continuaram tentando conter o fogo”, afirmou o funcionário, em depoimento relatado pelo jornal O Globo.
A Polícia Civil informou que os brigadistas que participaram do primeiro combate às chamas devem ser ouvidos para esclarecer quais protocolos foram adotados, se houve falhas operacionais e se os equipamentos disponíveis eram adequados. Os investigadores também apuram se as normas técnicas exigidas para esse tipo de ocorrência foram cumpridas.
Para o avanço da investigação, a liberação do subsolo do shopping é considerada essencial para a realização da perícia técnica, que deverá apontar a origem do incêndio. Enquanto isso, a polícia analisa possíveis falhas no acionamento do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, no protocolo de evacuação e na existência de registros de vistorias anteriores na loja.
Um relatório de vistoria elaborado no fim de dezembro já apontava irregularidades no local, como materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos armazenados acima do limite permitido pelo sistema de sprinklers. O documento foi assinado por Anderson Aguiar do Prado e Emellyn Silva Aguiar Menezes, que morreram dias depois do incêndio.
O incêndio ocorreu no início da noite do dia 2 e mobilizou equipes dos quartéis da Tijuca e de Vila Isabel, acionados por volta das 18h28. Anderson Aguiar do Prado chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar, enquanto Emellyn Silva Aguiar Menezes foi retirada do shopping durante a madrugada, com a principal hipótese de morte por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.
A administração do shopping e a loja Bell’Art ainda não se manifestaram oficialmente sobre as informações levantadas no depoimento. A 19ª DP segue à frente da apuração.














