A dentista Anushka Tiwari foi presa na Índia após dois de seus pacientes morrerem em decorrência de cirurgias de transplante capilar que ela realizou sem possuir habilitação para esse tipo de procedimento. A prisão aconteceu na segunda-feira (26), e o caso tem gerado revolta e comoção, especialmente após a divulgação de que as vítimas faleceram em circunstâncias semelhantes.
Ambos os pacientes, Vinit Kumar Dubey e Mayank Katiyar, eram engenheiros e morreram poucas horas após passarem pelos procedimentos realizados na clínica Empire, localizada na cidade de Kanpur. As famílias das vítimas registraram denúncias formais contra Anushka, alegando que ela atuava fora de sua área de formação. A dentista havia construído uma reputação falsa nas redes sociais, onde se apresentava como especialista em transplante capilar.
O caso de Vinit Kumar Dubey ocorreu em março deste ano. Morador de Kalyanpur, ele passou pela cirurgia em 13 de março e teve a saúde rapidamente comprometida. Foi internado em estado grave em um hospital de Sarvodaya Nagar e faleceu no dia 15. A esposa dele, Jaya Tripathi, foi a responsável pelo registro da queixa que levou a investigação adiante.
A segunda morte atribuída à atuação ilegal de Anushka Tiwari ocorreu em novembro do ano passado. Mayank Katiyar também se submeteu ao transplante capilar na clínica e faleceu um dia depois da cirurgia. Os relatos médicos e os depoimentos familiares indicam que as complicações começaram logo após o término do procedimento.
As autoridades indianas registraram denúncias por homicídio culposo em ambos os casos. As provas reunidas incluem registros clínicos, testemunhos e postagens online feitas por Anushka promovendo seus serviços como especialista estética. O promotor do caso, Dilip Singh, confirmou a gravidade da situação: “Há sérias acusações contra Anushka Tiwari. Ela realizou uma cirurgia que não está relacionada à sua área de atuação. Temos provas suficientes a esse respeito”, declarou em depoimento à NDTV.
A dentista apresentou apenas um diploma em odontologia. Mesmo assim, realizava procedimentos que exigem formação em cirurgia plástica ou dermatologia especializada. A atuação ilegal foi sustentada por forte presença em plataformas digitais, onde a profissional acumulava seguidores e promovia seus serviços como se fosse qualificada para realizar intervenções invasivas.
Após se apresentar voluntariamente ao Tribunal de Magistrados Judiciais, Anushka Tiwari foi colocada sob custódia judicial preventiva por um período inicial de 14 dias. O Ministério Público solicitou medidas rigorosas diante do risco de reincidência e da comoção gerada pelos óbitos.
Além da possibilidade de condenação criminal, Anushka pode perder sua licença para exercer a odontologia. O conselho profissional de odontologia local informou que irá acompanhar o andamento judicial e poderá abrir um processo administrativo para avaliar a conduta ética da dentista.
Casos como esse reacendem discussões sobre os limites de atuação de profissionais da saúde e a necessidade de fiscalização mais rígida sobre clínicas estéticas. O uso indevido de títulos e a oferta de procedimentos sem qualificação adequada colocam vidas em risco e comprometem a credibilidade de profissionais que atuam dentro da lei.














