O policial militar Daniel Souza da Silva, sargento do Bope, admitiu em depoimento ter sido o único a disparar durante a operação emergencial realizada no último sábado (8) no Morro Santo Amaro, Zona Sul do Rio. A ação resultou na morte do jovem Herus Guimarães Mendes, de 23 anos, e contradiz a primeira versão da Polícia Militar, que alegava que os agentes não haviam revidado aos tiros de supostos criminosos.
Segundo informações divulgadas pelo RJ2, da TV Globo, o sargento contou ter efetuado 13 disparos durante o confronto. Ele estava na função de ponta de patrulha e portava um fuzil calibre 5,56, que foi apreendido para análise de balística. O armamento será comparado às balas que atingiram Herus, morto enquanto comprava refrigerante em uma padaria.
A operação ocorreu durante uma festa junina, lotada de moradores, inclusive crianças. Apesar disso, o depoimento de Daniel não menciona o evento comunitário. Ele estava acompanhado de outros dois sargentos e dois cabos, além de sete agentes que também foram afastados após a ação. A Polícia Militar exonerou ainda dois comandantes: o coronel Aristheu Lopes, do Bope, e o coronel André Luiz Batista, do Comando de Operações Especiais (COE).
A Secretaria da PM classificou a operação como emergencial, justificando que havia uma denúncia sobre a movimentação de criminosos armados. No entanto, o próprio secretário Marcelo de Menezes Nogueira reconheceu que houve falhas no planejamento e que os protocolos da corporação não foram seguidos.
Herus Mendes foi atingido por dois tiros, um no abdômen e outro no quadril. Familiares relataram que ele havia acabado de sair para comprar um lanche e foi surpreendido pelos disparos. Segundo o pai da vítima, Fernando Guimarães, os agentes entraram atirando na festa. “Era uma festa cheia de crianças. Eles entraram dando tiro, sem motivo. Meu filho tinha acabado de sair para comprar um lanche. Graças a Deus o filho dele não estava presente”, declarou em depoimento ao jornal Extra.
Além de Herus, outras cinco pessoas ficaram feridas e foram levadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Todos já receberam alta. A família afirma que o jovem, que trabalhava como office boy e não tinha antecedentes criminais, foi arrastado por uma escadaria mesmo após ferido.
A Defensoria Pública e organizações de direitos humanos acompanham o caso e exigem uma investigação rigorosa sobre a conduta dos agentes envolvidos. A expectativa é de que o laudo balístico traga respostas sobre a autoria dos disparos fatais.














