A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens de Crivella e aliados por suspeita de improbidade administrativa na gestão da pandemia de Covid-19. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que acusa o ex-prefeito e empresários próximos de favorecerem irregularmente a empresa chinesa China Meheco em contratos emergenciais de saúde.
Segundo a ação, houve direcionamento na contratação da fornecedora estrangeira para a aquisição de equipamentos médicos, com a compra de insumos além da real necessidade da rede municipal de saúde. O prejuízo estimado aos cofres públicos gira em torno de R$ 68 milhões, considerando superfaturamento e perdas causadas pela oscilação do câmbio.
De acordo com o MPRJ, os contratos envolveram o pagamento de propinas disfarçadas de comissões comerciais. Há também suspeitas de que parte dos valores tenha sido usada como caixa dois para financiar a campanha eleitoral de Crivella. Um empresário próximo ao ex-prefeito teria tido papel central na negociação com a empresa chinesa, mesmo sem cargo oficial na prefeitura.
Além do bloqueio patrimonial, o Ministério Público pediu a condenação dos investigados por atos de improbidade administrativa. Caso sejam condenados, Crivella e aliados podem perder os direitos políticos, ser proibidos de contratar com o poder público e ainda terão que ressarcir integralmente os danos causados.
Essa nova ofensiva judicial se soma a outros processos envolvendo Crivella. O ex-prefeito já havia sido preso preventivamente em dezembro de 2020 no caso conhecido como “QG da Propina”, acusado de comandar um esquema de corrupção dentro da prefeitura. Ele foi solto por decisão do Superior Tribunal de Justiça, mas segue inelegível conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A defesa de Crivella ainda não se manifestou sobre a decisão mais recente. Em nota, o MPRJ informou que o bloqueio de bens é uma medida para evitar o esvaziamento patrimonial dos acusados e garantir o ressarcimento aos cofres públicos ao fim do processo.














