Criminosos de outros estados e do exterior vêm para o Rio furtar celulares em grandes eventos

Os paulistas na fila para ver Shakira, no estádio Nilton Santos

Capital de grandes eventos no país, o Rio recebe ainda mais opções de entretenimento no verão e no período de Carnaval. Mas mesmo em espaços fechados, a diversão tem sido ofuscada por quadrilhas especializadas em furto de celulares. No fim de semana, por exemplo, as redes sociais exibiram inúmeros relatos de vítimas que perderam seus aparelhos no evento Ensaios da Anitta, na Marina da Glória, na Zona Sul. A Polícia Civil do Rio reconhece a existência desses grupos, e policiais militares chegaram a fazer um vídeo com orientações para o público.

Saulo Bulhões, de 34 anos, foi uma das pessoas que tiveram o celular furtado na festa na Marina. Ele conta que o aparelho tinha uma cordinha que estava presa a sua bolsa de ombro:

“Eu fui encontrar esse amigo e, de repente, nos assustamos com uma briga. Tinha um garoto caído no chão e um homem, que parecia segurança à paisana, tirando celulares dos bolsos dele. Deveria ter uns 20 aparelhos. Nisso, quando voltamos a conversar, vi que a minha bolsa estava aberta. Só restou a capinha vazia”, lamentou.

Durante o show de Anitta, Tatiane Queren Ferreira e Alessandro dos Santos Chaves foram presos com 20 celulares furtados, segundo a polícia. Os aparelhos foram levados para a 9ª DP (Catete), destino de, no total, pelo menos 40 telefones furtados no evento. Todos estão sendo devolvidos aos donos.

Aparelho foi para São Paulo

No caso de Saulo, o modo “roubo”, disponível nos aparelhos com o sistema iOS, revelou que o celular dele estava na Praça da Sé, em São Paulo. Na noite de segunda, quando já tinha habilitado o número de sua linha em outro aparelho, ele recebeu um SMS dos criminosos, semelhante a uma mensagem automática, na qual havia um link de localização do celular. 

Para ele, era uma tentativa de golpe: “Se eu clicasse no link, eles provavelmente iam ter acesso à minha senha da Apple. Eu respondi dizendo que sabia onde o celular estava, e eles me chamaram de otário, adotaram um tom quase ameaçador”, contou.

Nas redes sociais, outros eventos no Rio foram cenários de furtos, como o Universo Spanta, também na Marina da Glória, em janeiro, que tem até queixas de consumidores na plataforma Reclame Aqui. 

“Ao me deslocar, senti um apertão e o rapaz falou ‘perdeu’. Quando tentei reagir, ele já havia levado meu celular”, contou uma das vítimas em 20 de janeiro. Nesse mesmo dia, outro relato semelhante: “Um grupo passou agressivamente por nós, alguns segundos depois me dei conta de que o celular não estava mais na case”.

A Polícia Civil investiga a atuação de diferentes quadrilhas: há suspeitos de São Paulo, Goiânia, da Colômbia e do Peru.

 

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