Criança de 9 anos é chamada de ‘macaca’ em caso de racismo na Rodoviária do Rio

Tainá Rosa e a filha, Milena, foram vítimas de racismo em banheiro da Rodoviária do Rio

Um caso de racismo na Rodoviária do Rio está sendo investigado pela Polícia Civil. A estudante de Direito Tainá Rosa, de 38 anos, denunciou que sua filha, Milena, de apenas 9 anos, foi chamada de “macaca” por uma mulher dentro do banheiro do terminal, localizado no bairro Santo Cristo, na Zona Portuária.

O episódio aconteceu na madrugada de segunda-feira (25), por volta das 5h30, logo após mãe e filha desembarcarem de uma viagem a Minas Gerais. Segundo Tainá, a menina saiu primeiro da cabine para lavar as mãos e, nesse momento, teria sido ofendida. Minha filha olhou pra mim, já chorando, e disse que ela já tinha a chamado duas vezes de macaca, gratuitamente, enquanto eu estava no sanitário, relatou em depoimento ao jornal.

A estudante afirmou que tentou impedir que a suspeita deixasse o local e acionou a Polícia Militar. Apesar de procurar seguranças da rodoviária, disse não ter recebido apoio. Após encontrar uma viatura, conduziu a ocorrência à 4ª DP (Presidente Vargas), onde prestou depoimento junto com a filha e a suspeita, que não ficou presa.

Abalada, Tainá destacou a gravidade da situação. É um assunto que dói, que machuca. O racismo traz a insegurança do negro de existir. Mesmo assim, mais uma criança e uma mulher negra foram desrespeitadas no Rio, afirmou. Ela também informou que busca apoio psicológico para a filha enfrentar o trauma.

A mãe reforçou que seguiu o caminho legal da denúncia. Meu único objetivo é conseguir o processo de justiça. Pessoas me perguntaram por que não agredi. Confio nas leis e no Estado. Preciso que entendam que o comportamento que tive é o certo. Não sou a favor da violência, disse.

Tainá também criticou o que considera descaso por parte da segurança do terminal. Fui em quatro seguranças e disseram que não podiam me ajudar. Não houve protocolo algum para dar suporte em um momento tão grave, apontou.

A Polícia Civil informou que outras diligências estão em andamento e que a criança ainda será ouvida. A administração da Rodoviária do Rio não respondeu até o fechamento desta matéria, mas o espaço segue aberto para manifestação.

O que diz a Roviária do Rio

O que está sendo dito em relação à nossa empresa não condiz com a realidade dos fatos verdadeiramente ocorridos no dia 25/8 no sanitário feminino do desembarque (serviço este gerido inteiramente pela CODERTE, desde abril de 2020 com funcionários próprios). A Rodoviária do Rio S/A reitera sua profunda consternação diante do relato de discriminação e afirma que não compactua nem nunca compactuou com qualquer tipo de preconceito em nossas instalações. Assim que acionado pela mãe da adolescente, nosso vigilante patrimonial — que também é um homem negro — orientou a Sra. a acionar imediatamente a PM por meio do número 190 já que se tratava de um assunto de competência da autoridade policial. A viatura compareceu ao terminal e conduziu as partes envolvidas à 4ª Delegacia de Polícia, onde foram realizados os procedimentos legais cabíveis.

Importante esclarecer que, segundo a própria 4ª DP, o caso não foi tipificado como crime de racismo por ausência de elementos probatórios que configurassem essa prática motivo pelo qual a suposta autora foi liberada. Cabe destacar ainda que a acusada pelo ato também é uma mulher negra, o que reforça a complexidade da ocorrência. Desde o primeiro momento, nossa equipe se colocou à disposição das autoridades policiais para quaisquer esclarecimentos necessários assim como a Ouvidoria, que fez contato telefônico com a mãe da adolescente na última terça feira (26/8). Continuaremos colaborando com as autoridades competentes em tudo que estiver ao nosso alcance, porém não achamos justo nossa empresa seja responsabilizada pelo episódio que, conforme já demonstrado, não envolveu diretamente seus funcionários e cuja apuração está sendo conduzida pelas autoridades competentes.

Limpatech