CPI do Crime Organizado convoca Bacellar e convida Garotinho para depor

Rodrigo Bacellar

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira (9) a convocação do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, para prestar depoimento ao colegiado no Senado. Ele foi preso na última semana sob suspeita de vazar informações sigilosas da Polícia Federal durante uma operação contra o Comando Vermelho.

De acordo com as investigações, Bacellar teria repassado dados confidenciais ao ex-deputado conhecido como TH Joias. Na segunda-feira (8), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro votou pela soltura do parlamentar, que agora aguarda decisão final do Supremo Tribunal Federal. Ainda não há data definida para o depoimento.

Além da convocação obrigatória de Bacellar, a CPI também aprovou o convite ao ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que poderá decidir se comparece ou não às oitivas. Garotinho também foi secretário de Segurança Pública do estado em gestões anteriores.

Ao justificar as convocações, o presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que as investigações demonstram que o fortalecimento do crime organizado ocorre quando há brechas dentro do próprio Estado. Ele destacou que cabe ao colegiado apurar quais estruturas estariam facilitando esse avanço.

A comissão ainda prevê ouvir outras autoridades, entre elas o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Luiz Fernando Corrêa. Os trabalhos da CPI seguirão até abril de 2026, com foco em investigar organizações criminosas e propor mudanças legislativas.

Ministro da Justiça aponta entrave financeiro

Durante sessão da CPI nesta terça-feira (9), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que a falta de recursos é um dos principais obstáculos ao avanço no combate ao crime organizado no Brasil. Segundo ele, o baixo orçamento compromete o enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e às facções criminosas.

Lewandowski também informou que o governo federal tem intensificado operações voltadas ao chamado “andar de cima” do crime organizado e destacou o andamento de propostas como o projeto de lei Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança, ambas em tramitação no Congresso Nacional.

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