A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ouviu nesta segunda-feira (22) o depoimento de Vinicius Sebastian dos Santos Catrinck, o criminoso do TCP conhecido como Capetão, preso em junho deste ano. Ele admitiu que veículos roubados eram muitas vezes devolvidos mediante pagamento de resgate, prática conhecida nas comunidades e que estaria ligada a empresas do setor de seguros.
Capetão declarou que, apesar de não atuar diretamente nas negociações, tinha conhecimento da prática. Isso sempre funcionou nas favelas, as pessoas roubam carro e depois devolvem, mas eu nunca tive envolvimento com isso. Acontece de pagarem resgate, sim, mas eu só atuava na parte do desmanche dos veículos. Eu soube que o valor de resgate é proporcional ao carro. Não é a seguradora que negocia direto, alguém da comunidade faz a ponte com os ‘polícias’, disse em depoimento aos parlamentares.
Segundo ele, carros populares avaliados em cerca de R$ 60 mil rendiam resgates de R$ 4 mil a R$ 5 mil, enquanto veículos de luxo, avaliados em até R$ 400 mil, podiam alcançar cifras de até R$ 25 mil nos esquemas ilegais.
No mesmo dia, também foi ouvido Thiago Fernandes Virtuoso, o Tio Comel, ligado ao Comando Vermelho (CV). Ele se recusou a responder perguntas, alegando que só falaria na presença de advogados. No entanto, aproveitou para criticar um projeto em análise na Alerj que prevê o fim das visitas íntimas a presos condenados por crimes graves. A única coisa que deixa o preso tranquilo é isso aí. Nós somos mais de 50 mil presos e, lá fora, as famílias representam mais do que isso. Então, é tudo voto que vocês vão perder, afirmou.
De acordo com a CPI, Tio Comel é investigado por adulterar chassis e motores de veículos, preparando carros roubados em até quatro horas e revendendo-os por cerca de R$ 100 mil, mesmo quando avaliados em R$ 150 mil, com destino a outros estados e até países vizinhos.
O presidente da comissão, deputado Alexandre Knoploch (PL), destacou que a CPI avança para identificar individualmente os envolvidos e definir a tipificação penal. As visitas às unidades nos ajudam a entender um pouco o modus operandi do crime e o tamanho do mercado que é o roubo de veículos. Estamos chegando à metade da investigação e já conseguimos mapear como funciona o sistema e qual é o lucro envolvido. Agora, começamos a identificar pessoa por pessoa e preparar os indiciamentos, explicou.
Na última semana, a Alerj aprovou um pacote de medidas de segurança pública, proposto pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Bacellar (União), que inclui o fim das visitas íntimas para presos condenados por homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de armas de uso restrito. O projeto aguarda sanção do governador Cláudio Castro (PL).














