Os Correios avançaram neste sábado com a aprovação do empréstimo de R$ 20 bilhões dos Correios, medida considerada essencial pela nova diretoria para recuperar liquidez no curto prazo e iniciar o plano de reestruturação da estatal. A decisão foi tomada em reunião do Conselho de Administração após análise das propostas apresentadas pelos bancos e do agravamento da situação financeira da empresa. A contratação, no entanto, ainda depende do aval do Tesouro Nacional, já que a operação contará com garantia da União.
Segundo interlocutores da estatal, o conselho acolheu os argumentos de que o financiamento é urgente para normalizar pagamentos pendentes, recompor o caixa e criar condições mínimas para que a reestruturação comece. Em comunicado, os Correios informaram que detalhes da operação só serão divulgados após a avaliação dos órgãos responsáveis, etapa que antecede a formalização do contrato.
A proposta aprovada foi apresentada por um sindicato formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A taxa de juros ficou levemente abaixo da oferta inicial — que girava em torno de 136% do CDI —, mas ainda próxima desse patamar. Os bancos também flexibilizaram exigências adicionais consideradas incomuns para operações garantidas pelo governo, como metas de lucro mínimo e utilização de recebíveis.
O Comitê de Garantias do Tesouro utiliza 120% do CDI como referência para esse tipo de operação, embora o índice não seja obrigatório. A diretoria dos Correios buscava reduzir o custo, o que motivou a ampliação das consultas a instituições financeiras, mas não houve recuo significativo nas propostas recebidas. Diante disso, o conselho decidiu aprovar o pacote final apresentado pelo grupo de cinco bancos.
A deliberação ocorre em meio à pior crise financeira da estatal em anos. O balanço do terceiro trimestre mostrou prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões em 2025, quase o triplo dos R$ 2,1 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Entre julho e setembro, o déficit somou R$ 1,69 bilhão. Documentos internos apontam queda nas receitas, aumento das despesas operacionais, impacto de passivos judiciais e trabalhistas, alta inflacionária e reajustes salariais. O fluxo de caixa está negativo em cerca de R$ 750 milhões mensais.
Sem mudanças estruturais, projeções internas estimam déficit de R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 23 bilhões em 2026. Esses dados embasaram a defesa da diretoria, que afirmou ao conselho que o financiamento é indispensável para evitar colapso operacional. O novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, já havia antecipado, ao assumir o cargo em setembro, que a empresa necessitava captar R$ 20 bilhões para estabilizar a operação e dar início às reformas previstas.
O plano de reestruturação, previsto para se intensificar a partir de 2026, inclui redução de despesas, modernização de sistemas, reorganização de unidades com baixa eficiência, automação logística e revisão do passivo do Postal Saúde. A expectativa é de que o empréstimo abra caminho para essas medidas, que serão detalhadas após a confirmação do Tesouro.














