A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar denúncias sobre corpos sem identificação no Hospital Municipal Salgado Filho, localizado no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. O caso levanta suspeitas de fraude processual e vilipêndio de cadáver, uma vez que, segundo informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, ao menos dez corpos estariam há meses sem qualquer registro formal de identificação.
De acordo com as apurações iniciais, a unidade hospitalar teria deixado de acionar o Instituto Félix Pacheco (IFP), órgão responsável por realizar os exames papiloscópicos, etapa fundamental e obrigatória para a identificação de corpos. A omissão pode configurar crime, caso seja comprovado que houve negligência administrativa ou má-fé.
A Polícia Civil busca esclarecer como e por que a rotina de identificação não teria sido cumprida. Testemunhas e funcionários podem ser chamados a depor para detalhar os procedimentos adotados na unidade. A análise de laudos e documentos internos do hospital também está em andamento para reforçar a investigação.
A Secretaria Municipal de Saúde, por sua vez, negou as informações divulgadas. Em nota oficial, a pasta afirmou que não existem dez corpos sem identificação na unidade, como foi noticiado. “Neste momento, há dois corpos no morgue do Hospital Municipal Salgado Filho, um deles em processo de identificação e outro aguardando remoção para o IML”, informou.
O inquérito segue em andamento e poderá responsabilizar criminalmente os gestores e profissionais envolvidos, caso sejam confirmadas falhas nos procedimentos de identificação. O episódio reacende o debate sobre a transparência e a fiscalização na gestão hospitalar, especialmente em casos que envolvem dignidade e respeito aos mortos.














