O coronel do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima morreu na tarde desta sexta-feira (28) após cair de parapente no mar de São Conrado, na Zona Sul do Rio. Uma linha de pipa com cerol ou linha chilena atingiu o equipamento durante o voo, provocando a queda fatal.
O acidente aconteceu perto da pista de pouso de asa-delta e parapente. O Corpo de Bombeiros foi chamado às 13h53 e mobilizou equipes do 3º Grupamento Marítimo de Copacabana, do Grupamento de Operações Aéreas e da Coordenadoria de Embarcações de Resgate. Álvaro chegou a ser socorrido e levado de ambulância para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Linha chilena provoca queda de voo livre em praia da Zona Sul
Durante o socorro no mar, um militar do Corpo de Bombeiros que estava de folga entrou na água voluntariamente para ajudar na remoção da vítima. O agente Ari Mesquita acabou se ferindo durante o resgate e precisou ser transportado de helicóptero até a Lagoa, de onde seguiu de ambulância para o mesmo hospital. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o quadro de saúde do bombeiro é estável.
O Clube São Conrado de Voo Livre classificou o caso como um ato criminoso. De acordo com a associação, várias linhas de pipa com cerol ou linha chilena cortavam o espaço aéreo utilizado pelos praticantes de voo no momento do acidente. O clube afirmou que o coronel acabou servindo de proteção para evitar que outro piloto fosse atingido primeiro pela linha esticada na área de aproximação.
Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima era um piloto experiente e tinha um histórico longo de serviços prestados ao país. Ele foi comandante do Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias, no Leme, entre os anos de 2013 e 2016. Mais recentemente, entre 2020 e 2021, o militar atuou como diretor do Centro de Programas Integrados da Fundação Nacional de Artes, a Funarte.
O que já se sabe sobre a investigação
A direção do Clube São Conrado de Voo Livre recolheu imagens do momento do acidente e de pessoas soltando pipa nas proximidades para entregar às autoridades. Pilotos relatam que o uso de cerol e linha chilena no entorno da praia é frequente, vindo de encostas e comunidades vizinhas, o que representa risco constante para quem pratica o esporte e para pedestres na orla.
A Polícia Civil deve instaurar um inquérito para apurar a autoria do crime de uso de material cortante e homicídio culposo ou doloso. O sábado (29) terá voos de homenagem organizados por colegas praticantes, que vão sobrevoar a praia de São Conrado em memória do coronel e como forma de protesto contra o uso ilegal de linhas cortantes na região.
Como fica a região de São Conrado
A orla e a praia de São Conrado continuam com trânsito livre na Avenida Prefeito Mendes de Morais, mas a área de pouso do voo livre recebe atenção reforçada das autoridades. O patrulhamento urbano no calçadão e nos acessos ao morro deve ser intensificado nos fins de semana para coibir a prática de soltar pipas com material proibido.
Moradores e freqüentadores do bairro pedem fiscalização constante da Guarda Municipal do Rio de Janeiro e da Polícia Militar na orla. A presença de linhas com cerol presas na vegetação das encostas e na fiação elétrica continua sendo varrida por equipes do clube de voo para evitar novos acidentes com esportistas.
Como denunciar o uso de cerol e linha chilena
O uso, a posse e a venda de cerol, linha chilena ou qualquer produto cortante em pipas é crime no Estado do Rio de Janeiro, previsto na Lei Estadual 8.478/2019. Quem flagrar o uso desses materiais pode fazer a denúncia de forma totalmente anônima e rápida.
Para denunciar a venda ou o uso de cerol, o morador deve ligar para o Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Também é possível enviar informações e vídeos pelo aplicativo do Disque Denúncia RJ ou procurar a delegacia do bairro, a 15ª DP da Gávea, responsável pela região de São Conrado.















