Confronto entre facções no Rio expõe limites do Estado, diz porta-voz da PM

Tiroteio levou pânico a moradores do Complexo da PedreiraTiroteio levou pânico a moradores do Complexo da Pedreira

A tenente-coronel Claudia Moraes, porta-voz da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM), afirmou nesta segunda-feira que o atual confronto entre facções no Rio “excede a capacidade do Estado do Rio de Janeiro”. Em entrevista à Rádio CBN, a oficial falou sobre as disputas violentas entre Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) nos complexos da Pedreira e do Chapadão, ambos na Zona Norte do Rio.

“Não interprete mal a minha fala. A Polícia Militar, as forças de segurança vêm trabalhando muito e duramente. A gente vem trabalhando todos os dias. O que eu estou deixando muito claro é que essa situação que estamos enfrentando nessa região, principalmente nesse confronto de facções criminosas, excede a capacidade do Estado do Rio de Janeiro,” disse a tenente-coronel.

Moraes ressaltou que o batalhão responsável pela área, o 41º BPM (Irajá), está entre os que mais apreendem fuzis no estado. Apesar disso, ela destacou que esse volume alto de armas não é motivo de orgulho: “Se a gente está apreendendo muito, é porque há muito. Entram por fronteiras, por outras áreas. E tirar essas armas das mãos dos criminosos não é algo trivial,” afirmou.

A oficial pontuou a necessidade de “muito mais atores” na resposta ao problema: “A droga não é fabricada aqui, ela chega aqui. Esses fuzis entram por algum lugar. A gente está combatendo o efeito, mas, para trabalhar na causa, é preciso muito mais atores nesse contexto.”

Sobre o incidente que resultou na morte de Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, que foi baleada em sua casa no Complexo da Pedreira durante uma invasão de criminosos do CV, Moraes lamentou o episódio e reforçou que a guerra entre facções coloca a população em risco. “Eles utilizam a população como escudo humano”, afirmou.

A tenente-coronel ainda falou da ocupação em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros, mencionando que há necessidade de “colocar blindado na porta da UPA” para que ela funcione normalmente — o que, segundo ela, “não é um estado de normalidade”.

Moraes defendeu que a integração entre a segurança estadual e federal é o “primeiro passo” para enfrentar o conflito armado nas favelas: “Não existe bala de prata, não existe solução única. A integração é o primeiro caminho, o primeiro passo.”

O confronto entre facções no Rio — com incursões, tiroteios, invasões e veículos blindados circulando nas comunidades — evidencia a força dos grupos criminosos e a complexidade do combate no território urbano. Para as autoridades, a solução exige articulação entre estados e União, reforço de inteligência e presença permanente nos locais de risco.

A PM informou que o patrulhamento foi reforçado na região e que operações continuadas estão em curso para retomar o controle dos acessos aos complexos.

O alerta da porta-voz torna-se um sinal de urgência para ampliar a presença do Estado, atuar de forma preventiva e estruturar uma resposta que vá além das operações pontuais.

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