Concierge do PCC: STF mantém preso homem que ligava facção a máfia italiana e movimentava R$ 2 bilhões

STF mantém prisão de “concierge do PCC” ligado à máfia italiana

A Justiça brasileira manterá Willian Barile Agati, apelidado pela Polícia Federal (PF) de “concierge do PCC”, em prisão preventiva. A decisão foi tomada pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do acusado.

Agati é apontado pelas investigações como uma peça-chave na expansão internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele teria sido o responsável por conectar a cúpula da facção a grupos criminosos estrangeiros, como a máfia italiana ‘Ndrangheta, facilitando o tráfico de drogas em larga escala.

As acusações incluem a gestão de rotas de drogas internacionais, tanto marítimas quanto aéreas, e a lavagem de dinheiro em montantes bilionários. A defesa, por sua vez, contesta as provas e a contemporaneidade da prisão. As informações foram divulgadas com base em decisão judicial e investigações da PF.

Operações internacionais e lavagem de dinheiro

As investigações da PF indicam que Willian Barile Agati atuava como um intermediário de alto nível, conectando o PCC a compradores de cocaína na Europa. Utilizando contatos na Europa, ele teria gerenciado a exportação da droga, inclusive por meio de rotas marítimas partindo do Porto de Paranaguá, no Paraná, com destino a Valência, na Espanha. A droga era escondida em cargas legítimas de produtos agrícolas.

Além da rota marítima, Agati também é acusado de operar uma rota aérea entre o Brasil e a Bélgica. Segundo a polícia, ele fornecia aviões privados adaptados para transportar grandes quantidades de entorpecentes entre os continentes. O volume financeiro movimentado pelo acusado entre 2017 e 2024 é estimado em cerca de R$ 2 bilhões, segundo a PF.

O “concierge playboy” e seus luxos

O apelido “concierge” se deve aos serviços prestados por Agati, que iam além do tráfico. Ele teria sido escolhido pelo PCC por sua capacidade de circular em ambientes de alta sociedade e estabelecer relações com pessoas influentes. Seu estilo de vida luxuoso, justificado como o de um empresário bem-sucedido, permitia movimentar grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas.

Agati também é acusado de atuar na lavagem de dinheiro da facção, criando empresas de fachada para ocultar e integrar os valores do narcotráfico na economia formal. Além disso, ele disponibilizava jatos, veículos importados, imóveis de alto padrão e artigos de luxo para os membros da organização criminosa.

Comunicação criptografada e conexões suspeitas

Para coordenar as transações internacionais e se comunicar com outras quadrilhas, Agati utilizava o aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC, sob codinomes como “Senna”, “Boxeador”, “Jogador” e “Playboy”. O acusado também teria utilizado suas conexões com o cônsul honorário de Moçambique para tentar obter uma carteira de cônsul falsa e resgatar Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito de Marcola, que estava detido no país africano.

Em 2021, Agati teria repassado R$ 5 milhões ao clube de futebol Cruzeiro, em uma operação de lavagem de dinheiro identificada pela PF. O clube e seu ex-presidente negaram irregularidades, afirmando que o valor foi um empréstimo legal e totalmente devolvido com juros. Agati também teria ordenado um duplo homicídio após um roubo de carga de cocaína e mantido relações estreitas com o doleiro Tharek Mourad Mourad.

Prisão e contestação da defesa

Willian Barile Agati foi preso em janeiro do ano passado, durante a primeira fase da Operação Mariusi, que visava desarticular a organização criminosa responsável pelo tráfico internacional de cocaína para a Europa. Em março do mesmo ano, ele foi transferido para o Presídio Federal de Brasília, onde também se encontra Marcola.

A defesa de Agati, representada pelo advogado Eduardo Maurício, nega todas as acusações. Em nota, a defesa argumenta que a prisão preventiva carece de contemporaneidade, ou seja, não está ligada a fatos recentes. Além disso, contestam a validade das provas obtidas através da interceptação de comunicações via Sky ECC, alegando que tais provas são nulas e que a presunção de inocência deve ser respeitada até o trânsito em julgado da ação penal.

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