A Prefeitura do Rio vai construir um novo sistema de comportas no Jardim Botânico, na Zona Sul, com o objetivo de aumentar a capacidade de escoamento da água da chuva e reduzir o risco de transbordamentos na região. As obras serão realizadas no canal da Rua General Garzon, por onde passa o Rio dos Macacos — um ponto estratégico tanto para conter o despejo irregular de esgoto quanto para controlar o fluxo das águas pluviais que chegam à Lagoa Rodrigo de Freitas.
De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, o novo projeto substituirá o sistema atual, em operação desde as primeiras décadas do século passado. A grande vantagem do projeto é que, com a remodelagem do sistema, não haverá barreiras para a passagem da água. Para as novas comportas serem construídas, será necessário demolir o sistema atual. Estamos na fase de definir o cronograma, mas provavelmente vamos iniciar a obra somente em 2026, explicou o secretário em entrevista ao jornal.
O investimento previsto é de R$ 4,5 milhões, com duração estimada de seis meses. Além da instalação das novas comportas, será demolido o pórtico de sustentação atual e implantado um novo sistema de guarda-corpo. A intervenção faz parte de um pacote de obras voltadas à mitigação dos impactos causados por temporais, especialmente em vias como a Avenida Borges de Medeiros e a Rua Jardim Botânico, frequentemente afetadas por alagamentos.
O projeto também levará em conta o impacto no trânsito, já que parte do material retirado da obra precisará ser transportado para aterros sanitários por caminhões. A estrutura faz parte de um sistema que ajuda a regular a drenagem das águas pluviais da Zona Sul e, ao mesmo tempo, minimiza o despejo irregular de esgoto trazido pelos rios Rainha, Cabeça e dos Macacos.
Além da reforma, será necessário automatizar o sistema de comportas. Hoje, essa operação é manual, com um sistema de manivelas. Se o técnico não chegar a tempo, há risco de alagamentos no Jardim Botânico, afirmou o advogado e ambientalista Heitor Wegmann Júnior, ex-integrante do subcomitê da Lagoa Rodrigo de Freitas. Em 2019, houve uma falha na operação da comporta, e o bairro ficou debaixo d’água, lembrou.
O canal da Rua General Garzon recebe o fluxo do Rio dos Macacos, que nasce no Parque Nacional da Tijuca, e também do Rio Cabeça, cuja nascente pode ser acessada por uma trilha no próprio Jardim Botânico, integrando a rota da Transcarioca.
O segundo sistema de comportas da região fica no Jardim de Alah, responsável por manter a ligação entre a Lagoa e o mar, garantindo a renovação das águas. Já o terceiro está no canal da Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon, equipado com bombas elétricas que captam esgoto vindo da Rocinha e o direcionam para o emissário submarino de Ipanema.
Para o engenheiro oceânico Paulo Rossmann, no entanto, as novas obras podem não ser suficientes. Não conheço o projeto, mas hoje já existe um sistema de captação de esgoto em tempo seco na Lagoa, construído nos anos 1990, que minimizou o problema. Em caso de chuva forte, o risco de alagamento vai continuar se não houver o alargamento do canal do Jardim de Alah. A água sobe, e a Lagoa transborda, destacou o especialista.
Com a intervenção, a Prefeitura busca atualizar uma infraestrutura centenária, unindo drenagem, controle ambiental e prevenção contra enchentes — um desafio histórico da Zona Sul carioca.














