Comando Vermelho usava GPS instalados por PM e assessor de Petrópolis para vigiar polícia

Policiais atuaram na Maré e Região Serrana

O Comando Vermelho utilizava rastreadores GPS instalados por um sargento da Polícia Militar e um assessor da Prefeitura de Petrópolis para monitorar viaturas policiais e agentes em operação. O esquema foi revelado nesta quinta-feira (2) durante a Operação Asfixia, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que prendeu 11 pessoas.

Segundo a 106ª DP (Itaipava) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o sargento Bruno da Cruz Rosa e o assessor especial Robson Esteves de Oliveira recebiam propina para atuar em favor da facção. Robson comprava os rastreadores e repassava os equipamentos a Wando da Silva Costa, o “Macumbinha”, apontado como chefe do CV na Região Serrana. Ele entregava os aparelhos ao sargento, que os instalava nas viaturas da corporação.

Com a tecnologia, os criminosos acompanhavam em tempo real a movimentação policial e até identificavam os agentes em patrulha. Bruno e Robson também repassavam informações sigilosas, facilitando a logística do tráfico. Além deles, outros nove envolvidos foram detidos. Wando segue foragido.

As investigações revelaram que os servidores atuavam em suas funções públicas há anos. Bruno, lotado no 20º BPM (Mesquita), também é acusado de facilitar o transporte de drogas. Já Robson trabalhava na Secretaria de Serviços de Petrópolis, de onde teria acessado informações repassadas ao crime organizado. A Prefeitura informou que não tinha conhecimento das práticas, exonerou o servidor e declarou que colaborará com as apurações.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 700 mil em bens ligados aos acusados, suspeitos de financiar as atividades criminosas. De acordo com os investigadores, o grupo atuava na expansão do Comando Vermelho na Região Serrana, principalmente em Petrópolis, transportando drogas da capital para Itaipava e outras localidades, sob controle de gerentes locais.

Os agentes apontam ainda que a facção impunha regras violentas às comunidades onde atuava, usando o medo e a repressão como instrumentos de domínio territorial.

Limpatech