Cobrança ilegal a mototaxistas termina com homem preso em Macaé

Um homem suspeito de exigir taxas ilegais para liberar o trabalho de mototaxistas e entregadores foi preso em Macaé, no Norte Fluminense. A captura ocorreu após ação conjunta das polícias Civil e Militar deflagrada para estancar extorsões contra trabalhadores sobre duas rodas.

Investigação mira extorsão de trabalhadores em Macaé

A ofensiva uniu agentes do 32º Batalhão de Polícia Militar e da 123ª Delegacia de Polícia para apurar relatos de intimidação na rotina dos motociclistas. A prática impedia que motoristas de aplicativo e entregadores operassem livremente sem pagar quantias não autorizadas por lei.

A investigação aponta que o grupo atuava impondo regras ilegais a quem depende da motocicleta para garantir a renda básica. O homem flagrado durante as buscas acabou conduzido à delegacia distrital, onde a autoridade policial confirmou a voz de prisão após análise preliminar das provas colhidas.

O suspeito foi enquadrado nos crimes de constituição de milícia privada e fraude processual, previstos no Código Penal brasileiro. Os policiais recolheram um aparelho celular, que será periciado para mapear a rede de cobranças e os métodos de intimidação usados pelos comparsas.

O que já se sabe sobre a ação policial

O caso começou a ser investigado após denúncias anônimas de profissionais que realizam transporte de passageiros e encomendas no município. Essas queixas indicavam que trabalhadores eram constrangidos a entregar parte dos ganhos diários para manter os pontos de parada e circular em bairros específicos.

A partir do cruzamento de dados de inteligência entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, os agentes identificaram dois suspeitos diretos no esquema. Durante a operação nas ruas, um deles foi detido em flagrante pelos agentes, enquanto o segundo alvo apontado nos relatórios conseguiu escapar e segue procurado.

As forças policiais não divulgaram o nome do homem preso para preservar o andamento das apurações. A perícia no telefone apreendido busca agora descobrir as contas bancárias receptoras, valores arrecadados e mensagens trocadas com outros colaboradores da quadrilha.

Quem responde por isso e como atuam os órgãos

O trabalho conjunto envolveu diretamente o efetivo do 32º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Macaé e comandado pelo tenente-coronel PM Márcio Rodrigues, além dos inspetores e delegados da 123ª Delegacia de Polícia (Macaé), responsável pela abertura formal do inquérito.

Segundo a corporação militar, a aproximação dos órgãos de segurança busca quebrar a tentativa de grupos criminosos se estabelecerem com cobranças de taxas comunitárias. A Polícia Civil mantém as oitivas de testemunhas e busca comprovar se houve emprego de ameaças diretas contra a integridade física das vítimas.

O homem autuado permanece sob custódia e será encaminhado para uma audiência de custódia da Justiça fluminense. Enquanto isso, o trabalho ostensivo nas vias urbanas do município teve reforço das viaturas policiais para evitar que outros suspeitos retomem as tentativas de achaque aos pontos de apoio de mototáxi.

Como denunciar abusos e cobranças indevidas

Trabalhadores e moradores que sofrem pressões financeiras clandestinas podem apresentar relatos às autoridades com proteção total de identidade. A colaboração de quem presencia o avanço de grupos armados ou cobranças indevidas é o principal ponto de partida para investigações desse tipo.

  • Disque Denúncia do Estado do Rio de Janeiro: telefone (21) 2253-1177, disponível 24 horas por dia, com atendimento totalmente anônimo.
  • Atendimento via WhatsApp do Disque Denúncia: número (21) 2253-1177, permitindo o envio de fotos, comprovantes de depósitos exigidos e relatos de ameaças.
  • 123ª DP (Macaé): localizada na Rua Benedito Peixoto, número 130, no Centro. O atendimento de plantão funciona 24 horas para o registro presencial de ocorrências.
  • Central 190 da Polícia Militar: para casos em que houver constrangimento imediato, ameaça com uso de arma de fogo ou abordagem suspeita em andamento.

O que fazer se você foi vítima de extorsão

O motociclista ou mototaxista abordado por cobradores ilegais não deve confrontar os suspeitos nem reagir de forma violenta. A recomendação dos investigadores é reunir elementos objetivos, como datas, horários, locais exatos das cobranças e números de contas fornecidas para transferências via chave Pix ou depósitos bancários.

A queixa pode ser protocolada presencialmente na delegacia de polícia do bairro onde ocorreu a cobrança ou pelo portal digital da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (Dedic). O boletim de ocorrência serve de instrumento formal para abertura de inquérito e solicitação de medidas protetivas aos trabalhadores ameaçados.

Documentos como comprovantes de trabalho, licenças municipais da categoria quando houver, extratos de pagamentos exigidos por coação e registros fotográficos do local ajudam a robustecer a prova judicial. O sigilo do denunciante é resguardado pela legislação vigente durante o inquérito policial.

Foto: O Dia

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