A Polícia Civil investiga uma clínica de estética no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, suspeita de realizar cirurgias invasivas sem médicos habilitados. Uma paciente teve complicações e medicamentos de uso restrito acabaram apreendidos no local.
As investigações começaram após agentes irem ao estabelecimento conferir denúncias anônimas de irregularidades graves no atendimento ao público.
Operações clandestinas e remédios controlados apreendidos na Baixada
Durante a fiscalização no endereço comercial, agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu) apreenderam 16 ampolas de midazolam. Esse remédio é um sedativo potente de uso estritamente hospitalar e controlado, cuja procedência e forma de compra ainda não foram comprovadas pelos responsáveis.
Uma das vítimas ouvidas relatou que contratou uma técnica chamada no estabelecimento de “hidrolifting”. Na prática, o procedimento se tratava de uma lipoaspiração tradicional, com uso de cânulas de ferro para sugar gordura da barriga e injetar o material diretamente nos glúteos.
Segundo o relato oficial da paciente, a sessão foi conduzida por uma pessoa sem formação médica concluída. A vítima informou que desmaiou três vezes seguidas durante o atendimento e sentiu fortes dores por dias.
Após as intervenções, a mulher sofreu com inflamações graves e o surgimento de nódulos duros no corpo. Um exame oficial de corpo de delito feito no Instituto Médico Legal confirmou as lesões corporais causadas pelo método clandestino.
O que já se sabe sobre as apurações da polícia
Mensagens de grupos de WhatsApp e redes sociais mostram relatos de vários clientes que reclamavam de dores insuportáveis durante procedimentos divulgados como simples. Promoções eram oferecidas com frequência para atrair mais moradores da Baixada.
Outro ponto grave descoberto pelos agentes envolve uma fraude de identidade. O profissional apontado nos documentos como o responsável técnico da clínica prestou depoimento e desmentiu o vínculo com o negócio.
Ele declarou à polícia que nunca trabalhou no local, nunca recebeu qualquer pagamento do estabelecimento e jamais autorizou a fabricação do carimbo com seu registro profissional que foi apreendido na bancada de atendimento.
Os donos e operadores da clínica agora respondem por exercício ilegal da medicina, lesão corporal dolosa, perigo para a vida de terceiros, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo.
Como consultar a situação de um profissional antes de operar
Para quem planeja qualquer procedimento estético no Rio de Janeiro ou na Baixada Fluminense, a principal recomendação de segurança é verificar os registros profissionais com antecedência, antes de fechar contratos ou pagar adiantado:
- Consulte o CRM: Acesse o portal do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (cremerj.org.br) e digite o nome completo ou número do profissional na aba “Buscar Médico”.
- Confira a especialidade: Verifique se a pessoa possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica ou dermatologia.
- Verifique alvarás sanitários: Todo consultório que faz procedimentos invasivos precisa exibir alvará de funcionamento e licença sanitária municipal fixados na recepção em local visível.
O que fazer se você foi vítima
Quem realizou procedimentos na clínica investigada ou em estabelecimentos parecidos e teve problemas de saúde deve procurar atendimento médico de urgência imediatamente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital público da rede estadual.
Em seguida, a recomendação é registrar a ocorrência policial. A vítima deve comparecer à delegacia de polícia mais próxima ou fazer o registro diretamente na 52ª DP, localizada em Nova Iguaçu.
É essencial levar fotos das lesões, comprovantes de pagamento, cópias de conversas de celular, panfletos e os laudos médicos emitidos pelos médicos que prestaram o socorro posterior.
Como denunciar clínicas irregulares
Denúncias sobre locais sem autorização ou atuação de falsos médicos podem ser repassadas para as autoridades sem necessidade de identificação pessoal:
- Disque Denúncia do Rio: Ligue para o telefone (21) 2253-1177. O canal funciona de forma anônima e recebe informações 24 horas por dia.
- WhatsApp do Disque Denúncia: As mensagens podem ser enviadas para o número (21) 2253-1177 com fotos de endereços e anúncios suspeitos.
- Vigilância Sanitária: Ligue para a central 1746 na capital ou procure a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu para fiscalizações sanitárias em estabelecimentos comerciais.














