Clínica em Laranjeiras: Sete Denúncias e Morte em Cirurgia Plástica; Investigação Aprofunda Casos de Complicações

Clínica em Laranjeiras sob Investigação após Sete Denúncias e Morte em Cirurgia Plástica

A Polícia Civil do Rio de Janeiro aprofunda a investigação sobre supostas irregularidades em unidades de saúde do Grupo Celita Toledo, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio. Sete denúncias já foram registradas, incluindo complicações graves e a morte da paciente Isabely Viana, de 42 anos, após uma abdominoplastia.

A comunidade médica e as autoridades estão em alerta diante dos relatos. A expansão do número de vítimas que procuraram a Delegacia do Consumidor (Decon) eleva a preocupação, especialmente após a prisão do responsável pelo Plastic Day Hospital, uma das unidades do grupo, em uma operação recente.

As novas denúncias surgiram um dia após a ação policial, evidenciando um padrão de problemas. A investigação busca esclarecer se os procedimentos estéticos, frequentemente oferecidos a preços abaixo do mercado, estavam associados a falhas na prestação do serviço e riscos à saúde dos pacientes, conforme informações divulgadas pela Polícia Civil.

Novas Vítimas Ampliam o Escopo da Investigação

A apuração teve início com duas pacientes que relataram deformações após procedimentos estéticos. Com a divulgação do caso, outras vítimas sentiram-se encorajadas a procurar a especializada, detalhando complicações semelhantes. Daiana Maurina, por exemplo, pagou R$ 16 mil por uma cirurgia plástica combinada de abdômen, lipoescultura e glúteos.

Segundo Daiana, o objetivo era corrigir uma cicatriz abdominal, mas o resultado foi o agravamento das marcas e o surgimento de novas sequelas. “Eu saí de lá com muito mais cicatriz do que eu entrei, eu saí de lá com muita sequela, com um caroço em cima do umbigo, muita dor e muito sofrimento psicológico e físico”, relatou ela, evidenciando o trauma vivido.

A Polícia Civil destacou que a oferta de procedimentos estéticos por valores inferiores aos praticados no mercado é um aspecto que também está sendo investigado. Essa estratégia de precificação pode ter atraído pacientes em busca de economia, mas que acabaram enfrentando sérias complicações pós-operatórias.

Morte de Paciente Após Abdominoplastia É o Caso Mais Grave

O episódio mais trágico sob investigação é a morte da administradora Isabely Viana. Ela faleceu cinco dias após realizar uma abdominoplastia, procedimento realizado em 12 de junho. O marido da vítima, Cosme de Vasconcellos, informou que Isabely sofreu duas paradas cardiorrespiratórias durante a cirurgia.

“Ela deu uma parada de 10 minutos e depois deu uma parada de 8 minutos. Veio um cirurgião e explicou que era manual, fizeram manual e que ela ficou em coma”, explicou Vasconcellos, detalhando os momentos de angústia. Isabely permaneceu internada em estado grave, mas não resistiu às complicações decorrentes do procedimento.

Operação Revela Medicamentos Vencidos e Prisão de Responsável

Na terça-feira, 4 de julho, agentes da Delegacia do Consumidor realizaram uma operação nas unidades do grupo de saúde localizadas na Rua Soares de Cabral. Durante a fiscalização, foram encontrados medicamentos com o prazo de validade vencido, levantando sérias questões sobre os protocolos de segurança e armazenamento na clínica.

Adriano da Silva Nascimento, o responsável pelo Plastic Day Hospital, foi preso durante a ação. Após prestar depoimento e pagar uma fiança de R$ 10 mil, ele responderá ao processo em liberdade. Além dele, outras quatro pessoas foram levadas para esclarecimentos. A Vigilância Sanitária também participou da fiscalização para avaliar as condições de funcionamento da unidade.

Responsável pelo Grupo Contesta Acusações e Exige Provas

Em pronunciamentos nas redes sociais, Celita Toledo, responsável pelo grupo, afirmou que a unidade Plastic Day continua operando normalmente. Ela também declarou que as pacientes que registraram denúncias precisarão comprovar que as complicações tiveram relação direta com os procedimentos realizados na clínica.

“Tem muita menina reclamando de intercorrência. Já operamos mais de 8 mil e 300 poucas pessoas. Todas as pessoas que estão fazendo reclamação, que vão fazer ocorrência, vão ter que provar de que que é aquela intercorrência dela”, afirmou Toledo, defendendo a atuação do grupo e exigindo comprovação das alegações.

A Polícia Civil segue reunindo depoimentos, documentos e laudos médicos para desvendar as circunstâncias dos casos. O objetivo é apurar todas as responsabilidades e garantir que a justiça seja feita, tanto para as vítimas quanto para os acusados, em um processo que promete ser longo e detalhado.

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