Cláudio Castro e Daniel Vorcaro entraram no centro de uma nova linha de investigação da Polícia Federal, que aponta uma “elevada coincidência temporal” entre encontros dos dois e a liberação de aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master. Segundo os investigadores, as reuniões teriam ocorrido em datas próximas às movimentações financeiras feitas pelo fundo previdenciário do Estado do Rio.
O caso aparece na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero. Na terça-feira (26), Castro foi alvo de busca e apreensão em seu apartamento, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e teve dois celulares apreendidos.
De acordo com a PF, foram identificados indícios de sincronismo entre encontros mantidos pelo ex-governador e pelo banqueiro Daniel Vorcaro e os aportes feitos posteriormente pelo regime previdenciário estadual. A investigação sustenta que a relação entre os dois não teria se limitado a contatos institucionais.
Os investigadores afirmam que Castro e Vorcaro mantinham um vínculo pessoal próximo, com encontros frequentes em ambientes privados e até no exterior. Ainda segundo a apuração, parte dessas ocasiões teria sido custeada pelo banqueiro.
A Polícia Federal vê nesse relacionamento um possível elemento de influência política para viabilizar os aportes no Banco Master. O documento também cita mudanças internas no Rioprevidência antes do início das operações financeiras que agora são investigadas.
O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais do Rio de Janeiro. O fundo atende cerca de 237 mil aposentados e pensionistas civis e militares, sendo uma das maiores estruturas previdenciárias do país.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça envolvendo o Banco Master. Daniel Vorcaro está preso em Brasília.
Segundo a PF, a cúpula do Rioprevidência passou por alterações pouco antes dos investimentos questionados. A decisão menciona nomeações consideradas estratégicas para cargos como presidência, diretoria e gerência de investimentos.
A partir dessas mudanças, os novos gestores teriam adotado decisões diferentes da política conservadora que vinha sendo seguida pelo fundo. Entre os pontos citados estão o credenciamento acelerado do Banco Master, a ausência de análises técnicas mais estruturadas, a falta de comparação com alternativas de mercado e avaliações de risco consideradas insuficientes.
A investigação também aponta que os aportes continuaram mesmo após alertas de órgãos de controle. Ao todo, a PF calcula que o Rioprevidência destinou cerca de R$ 3,69 bilhões ao Banco Master, somando aplicações em Letras Financeiras e fundos ligados ao grupo.
Outro ponto destacado pela decisão envolve a troca na diretoria de investimentos do Rioprevidência. Eucherio Lerner Rodrigues assumiu o cargo em 4 de outubro de 2023. No mesmo dia, o Banco Master solicitou credenciamento junto ao fundo.
Para os investigadores, a sequência de datas reforça a suspeita de que as operações financeiras não seguiram apenas critérios técnicos. A PF afirma ainda que, após obstáculos regulatórios para manter aplicações em Letras Financeiras, parte dos recursos teria migrado para fundos estruturados vinculados ao banco.
Na avaliação do ministro André Mendonça, há elevada probabilidade de que os investigados integrem um esquema estruturado de corrupção e lavagem de dinheiro voltado ao desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência.
A defesa de Cláudio Castro nega qualquer relação pessoal indevida com Daniel Vorcaro e rejeita irregularidades atribuídas ao ex-governador. O caso segue sob investigação da Polícia Federal.














