Um grande esquema de fabricação de cigarros falsos levou o Ministério Público Federal (MPF) a denunciar o bicheiro Adilsinho e outras 35 pessoas. O grupo é acusado de crimes como tráfico de pessoas, trabalho escravo, lavagem de dinheiro e falsificação. Segundo a investigação, só uma das empresas de fachada movimentou R$ 70 milhões em dez meses, no ano de 2020.
A denúncia foi aceita pela Justiça Federal e detalha uma organização criminosa bem estruturada, com divisão de tarefas entre núcleos de produção, logística, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas e comércio ilegal. A operação, chamada de Libertatis, foi conduzida pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) e pelo Gaeco do MPF.
O MPF apurou que o grupo utilizava trabalhadores paraguaios, mantidos em regime análogo à escravidão. Eles eram atraídos ao Brasil com falsas promessas e depois obrigados a trabalhar em condições degradantes, com jornadas exaustivas e sem liberdade de locomoção.
As fábricas clandestinas de cigarros falsos funcionavam em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e em Paty do Alferes, na região serrana do Rio. No total, 49 trabalhadores foram resgatados desses locais.
O esquema também contava com a participação de agentes públicos, que davam suporte e proteção aos criminosos. Entre os réus está o bicheiro Adilsinho, que segue foragido. Seu braço-direito, Luis Verdini, já havia sido preso em março deste ano e é apontado como gerente administrativo da principal empresa de fachada utilizada no esquema.
A investigação ainda revelou que parte dos cigarros falsificados era destinada ao mercado internacional, reforçando o caráter transnacional da quadrilha.














