O Ministério Público do Rio de Janeiro revelou nesta semana que o chefe de uma milícia na Baixada Fluminense continuava exercendo o comando da quadrilha de dentro da prisão. As investigações indicam que Jefferson Constant Jasmim, conhecido como Deco ou 01, mesmo condenado a 30 anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver, seguia dando ordens diretas de Bangu 9, unidade destinada a criminosos ligados a milícias.
Segundo o Gaeco, o grupo liderado por Deco controlava áreas de Nova Iguaçu e Belford Roxo, impondo o pagamento de taxas semanais a comerciantes, motoristas de vans, mototaxistas e até empresas de internet e TV a cabo. Quem se recusava a pagar era alvo de ameaças e, em alguns casos, de violência fatal.
Um dos áudios obtidos pela investigação mostra um integrante da milícia intimidando um comerciante. Ele tem que pagar. Ou ele paga com a vida, ou ele paga com um tiro no olho. Manda o número dele pra mim, fala que o diabo quer falar com ele. Eu vou deixar eles tudo com a barriga aberta, parceiro, e vou arrancar a cabeça, diz o criminoso.
As apurações também apontam que o grupo proibia mototaxistas de aplicativo de circular nas áreas dominadas. Em conversas interceptadas, milicianos chegam a falar em quebrar as motos e a cara como forma de impor medo. Outro áudio mostra Deco negociando a compra de uma pistola, sugerindo o pagamento dividido entre parcelas.
Com a operação realizada nesta quarta-feira (20), três suspeitos ligados ao bando foram presos. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que Deco foi transferido para Bangu 1, penitenciária de segurança máxima, onde ficará em cela individual. Outros três detentos foram isolados preventivamente.
A investigação ainda revelou que a milícia disputava territórios com outros grupos criminosos liderados por João Teixeira dos Passos, conhecido como Jota da Grama, e Gilson Ingrácio de Souza Júnior, o Juninho Varão.
Desde o início do ano, segundo a Seap, 91 celulares já foram apreendidos em Bangu 9, o que mostra a continuidade de atividades criminosas de dentro das unidades prisionais. A TV Globo informou que não conseguiu contato com a defesa dos acusados.














