Um importante símbolo histórico do bairro do Rio Comprido voltou à paisagem urbana. O chafariz restaurado, localizado na Praça Condessa Paulo de Frontin, será religado neste sábado (3), em comemoração ao aniversário do bairro. A obra de recuperação foi conduzida pela Secretaria Municipal de Conservação e durou cerca de dois meses.
O monumento, datado do século XIX, enfrentava falhas elétricas, infiltrações e problemas na tubulação, o que o manteve desligado por quase um ano. Com a conclusão das intervenções, a estrutura voltou a funcionar, devolvendo vida à praça e resgatando a memória histórica do bairro.
Durante o processo de restauração, as juntas de ferro fundido foram recuperadas e receberam nova pintura. A casa de máquinas, que sofria com infiltrações, também passou por obras de recuperação. A revitalização permitiu o retorno do fluxo de água e do funcionamento do sistema hidráulico original, valorizando a estrutura como peça artística e funcional.
“O carioca que passa aqui todo dia se perguntava por que um monumento tão bonito não estava funcionando. Aqui o contribuinte, além de saber que quem cuida dos monumentos da cidade é a Prefeitura pela Conservação, tem a certeza de que valorizamos o patrimônio histórico da cidade”, afirmou Diego Vaz, em depoimento ao Diário do Rio.
Produzido pelas Fundições Val d’Osne, na França, o chafariz é assinado pelo escultor Auguste Martin. Ele exibe uma composição ornamental com duas sereias, Netuno e um menino cavalgando um golfinho, dispostos sobre uma bacia circular feita de gnaisse. A peça é um exemplo raro da arte em ferro fundido no mobiliário urbano carioca.
Inicialmente instalado na Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, o chafariz foi transferido para sua localização atual no ano de 1970, após ser removido em 1963. Desde então, tornou-se um dos principais pontos de referência do bairro do Rio Comprido, sendo tombado como patrimônio histórico municipal.
Moradores e comerciantes da região comemoraram a conclusão das obras. Para muitos, o chafariz restaurado representa mais do que um objeto decorativo — é parte viva da memória e da identidade do bairro. A movimentação em torno da praça aumentou com a expectativa de religamento da estrutura, o que deve estimular o uso do espaço público e atrair visitantes.
A Prefeitura do Rio informou que o restauro faz parte de um conjunto de ações voltadas à valorização do patrimônio histórico e cultural da cidade. Outros monumentos estão na lista de conservação, com cronograma já previsto para este ano. A meta, segundo o órgão, é manter viva a história carioca em todos os bairros, promovendo o acesso da população aos bens públicos.
A reativação do chafariz restaurado é também uma forma de requalificação urbana. Ao integrar monumentos históricos ao cotidiano das cidades, cria-se uma ponte entre passado e presente, estimulando o pertencimento e o cuidado com os espaços coletivos.
Para quem vive ou transita pelo Rio Comprido, a cena do chafariz em funcionamento volta a ser parte da rotina — com suas esculturas, som da água corrente e beleza recuperada. Um presente simbólico para o bairro, que celebra mais um ano de história com o resgate de um de seus maiores ícones.














