33 anos da Chacina da Candelária: Luta por Justiça e Direitos Humanos Continua Viva
O movimento “Candelária Nunca Mais” marcou nesta quinta-feira, 23 de julho, os 33 anos da trágica Chacina da Candelária. Familiares, amigos e defensores dos direitos humanos se reuniram em frente à Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, para relembrar o brutal assassinato de oito crianças e adolescentes pela Polícia Militar.
O ato, que contou com cartazes, rodas de conversa e orações, reafirma a importância de manter viva a memória das vítimas e de lutar por um futuro onde tragédias como essa não se repitam. A busca por justiça e a cobrança por políticas públicas eficazes de proteção à infância e adolescência foram os pilares do encontro.
Apesar das décadas passadas, a dor e a necessidade de avanços permanecem. O movimento se fortalece a cada ano, reunindo gerações e ativistas em prol da dignidade humana e da garantia de direitos para todos os jovens, especialmente aqueles que vivem em comunidades e periferias. Conforme informação divulgada pelo O DIA, o movimento “Candelária Nunca Mais” reuniu, nesta quinta-feira (23), familiares e amigos de vítimas da violência do Estado em frente à Igreja da Candelária, no Centro, onde, há 33 anos, oito crianças e adolescentes foram assassinados pela Polícia Militar.
A Voz dos Sobreviventes e Familiares: Uma Luta Contínua
Sebastião de Andrade, fundador da Associação Beneficente AMAR, acompanha o movimento desde a missa de sétimo dia em 1993. Ele enfatiza que, mesmo após 33 anos, a luta por políticas públicas que garantam educação, saúde, lazer e profissionalização para crianças e adolescentes é fundamental. .
Sônia Maria Araújo, irmã de um dos sobreviventes da chacina, Wagner dos Santos, ressalta a importância de continuar a luta por dias melhores para as crianças e adolescentes que vivem em comunidades e favelas. Ela destaca que a violência policial afeta desproporcionalmente a juventude negra. “Para nossas crianças pretas, porque são os pretos que são mais abordados com truculência pela polícia”, explicou.
Sônia lamenta que, apesar da troca de governantes, a falta de políticas públicas para jovens em situação de vulnerabilidade persiste. “Eles acham que o melhor é matar, porque quanto menos preto, para eles, é melhor”, afirmou, evidenciando a persistência do racismo estrutural.
O Movimento “Candelária Nunca Mais”: Memória e Mobilização
O movimento “Candelária Nunca Mais” é uma rede de apoio formada por pais, mães, irmãos e amigos das vítimas. Por meio de manifestações, vigílias e eventos educativos, a organização busca manter viva a memória dos assassinados e exigir responsabilização. A atuação do grupo é crucial para que a sociedade não se esqueça da brutalidade ocorrida.
A Chacina da Candelária: Um Crime que Chocou o Brasil
Na noite de 23 de julho de 1993, o Rio de Janeiro foi palco de um dos crimes mais chocantes da história do país. Oito crianças e adolescentes, com idades entre 11 e 19 anos, foram assassinados enquanto dormiam nas proximidades da Igreja da Candelária. A ação foi perpetrada por policiais militares, que teriam agido em retaliação a um incidente ocorrido no dia anterior.
Várias crianças e adolescentes também ficaram feridos na ação. Um dos sobreviventes, que atuava como guardador de carros na região, foi peça fundamental nas investigações que levaram à identificação dos responsáveis. O crime gerou comoção nacional e internacional, expondo a violência contra jovens em situação de rua.
Legado e Homenagem: Um Monumento à Memória
Em frente à Igreja da Candelária, um pequeno monumento com uma cruz de madeira e uma placa de concreto serve como um lembrete constante da Chacina. Os nomes dos jovens assassinados estão inscritos na cruz, perpetuando a memória daqueles que foram brutalmente tirados de suas famílias. O ato de hoje reforça que a luta por justiça e por um futuro mais digno para a juventude brasileira segue firme.














