O Centro do Rio terá sete circuitos culturais como parte de uma estratégia da prefeitura para criar uma programação permanente e coordenada capaz de atrair novamente o público para a região, que enfrenta um processo de esvaziamento intensificado durante a pandemia. O primeiro circuito será inaugurado neste sábado, na Cinelândia, com uma série de atividades culturais ao longo do dia.
O evento de estreia funcionará como um teste para o projeto e contará com atrações como roda de samba com o Grupo Quintal da Magia, um auto de Natal encenado pelo Grupo Tá na Rua, além de exibições de filmes, apresentações de corais, balé e exposições. A proposta é mostrar o potencial da região quando os espaços culturais atuam de forma integrada.
— O Centro é rico em infraestrutura, em acervos, em instituições culturais e em espaços públicos de qualidade. Mas a ocupação precisa ser coordenada. Esse é um desafio muito grande — reconhece o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, em entrevista.
De acordo com o secretário, apenas no trecho entre o Museu Histórico Nacional, na Praça Marechal Âncora, e o AquaRio, na Gamboa, existem cerca de 30 museus e centros culturais. A ideia é que esses equipamentos, incluindo espaços privados, façam parte dos circuitos, com uma programação organizada durante todo o ano.
Em janeiro, a prefeitura lançará um edital no valor de R$ 3,2 milhões para a escolha dos gestores dos quatro primeiros circuitos, que incluirão Cinelândia, MAM/Capanema, Praça Tiradentes e Praça Quinze. Outros circuitos estão previstos para a Lapa, Orla Conde e Pequena África.
Embora funcionem de forma autônoma, os circuitos devem, em determinados momentos, atuar de maneira integrada, formando um grande circuito cultural do Centro do Rio. Para isso, foi criada uma gerência específica, responsável por articular ações, alinhar programações e facilitar a comunicação entre as instituições envolvidas.
— Existe uma dificuldade de coordenação de horários de funcionamento, de programação compartilhada e de informação ao turista e ao carioca sobre como circular por mais de um espaço. Os circuitos culturais são um esforço nosso de fomento à cultura, recorrendo ao que já existe — explica Padilha, em declaração.
O circuito inaugural da Cinelândia reúne 21 eventos, envolvendo 13 instituições culturais públicas e privadas. Entre os destaques estão apresentações no Teatro Riachuelo, no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no BNDES e no Teatro Sesi-Firjan, além de atividades na própria praça. A maior parte da programação é gratuita.
— A ideia é mostrar a potência que pode ser trazida de volta para a Cinelândia, com as pessoas circulando, entrando nos espaços culturais e ocupando a praça — afirma Leonardo Edde, presidente da Rio Filme, em depoimento.
A proposta se inspira em exemplos bem-sucedidos de ocupação cultural, como a Feira da Glória, e em iniciativas já consolidadas na própria Cinelândia. Para André Breves, responsável pela Banca do André, a programação deste sábado simboliza um avanço importante.
— Nós mostramos que a ocupação responsável do espaço público só traz benefícios, além de sensação de segurança para quem vive ou frequenta o Centro — avalia Breves, em depoimento.
O diretor Amir Haddad, do Grupo Tá na Rua, que apresentará o auto de Natal “Meu caro amigo jumento”, destaca a importância da cultura nos espaços públicos.
— Fazer manifestação cultural nos espaços públicos é a melhor maneira de a cidade se expressar. É isso que fazemos há mais de 45 anos — diz Haddad, em declaração.
Para Ricardo Horta, diretor-executivo do Centro Cultural da Justiça Federal, a iniciativa representa a chance de transformar a Cinelândia em um ponto permanente de encontro cultural.
— A importância do projeto é permitir que as instituições dialoguem entre si, compartilhem programações e criem ações complementares, com apoio da prefeitura em serviços como segurança e iluminação — conclui, em depoimento.














