Cenipa Divulga Relatório Preliminar da Colisão de Helicópteros no Recreio dos Bandeirantes
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou o Reporte Preliminar sobre a trágica colisão entre dois helicópteros ocorrida em 14 de junho, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes. O acidente, que envolveu um Bell 206B (PP-MAC) e um AS350 B2 “Esquilo” (PR-DJJ), resultou na morte de todas as seis pessoas que estavam a bordo.
Este documento preliminar reúne informações coletadas até o momento e não apresenta conclusões definitivas sobre as causas do acidente. O objetivo principal é detalhar o andamento da investigação, enquanto o relatório final, ainda em elaboração, indicará os fatores que contribuíram para a colisão. Conforme divulgado pelo Cenipa, o reporte visa apresentar o progresso da apuração.
Entre os pontos cruciais revelados, destaca-se a confirmação de que ambas as aeronaves operavam nas mesmas Rotas Especiais de Helicópteros (REHs), corredores aéreos designados para organizar o denso tráfego de helicópteros na cidade. Os planos de voo indicavam o uso das rotas Praia e Grota, com altitudes compatíveis, e o choque ocorreu entre os pontos conhecidos como Tachas e Piabas.
Autocoordenação e Falta de Gravação de Frequência de Rádio
O reporte do Cenipa detalha que, durante operações nessas rotas específicas, os pilotos realizam a chamada autocoordenação. Este procedimento envolve a comunicação mútua de posições via rádio, utilizando uma frequência dedicada, sem supervisão direta do controle de tráfego aéreo. É importante notar que essa frequência de comunicação não é gravada nem monitorada pelos órgãos de controle de tráfego aéreo, o que dificulta a análise posterior.
GPS Auxilia na Reconstrução do Voo, Mas Nem Todas as Aeronaves Possuíam Registros
Apesar de nenhum dos helicópteros estar equipado com caixas-pretas (gravadores de voz e de dados de voo), os investigadores conseguiram recuperar dados vitais de um GPS portátil a bordo do PR-DJJ. Este equipamento registrou informações como posição, velocidade, altitude e direção do voo, possibilitando a reconstrução da trajetória da aeronave até momentos antes do impacto. A instalação de gravadores de voo não é obrigatória para este tipo de aeronave, o que explica a ausência em ambos os helicópteros.
O outro helicóptero, de prefixo PP-MAC, não possuía nenhum equipamento capaz de registrar informações de voo. Além disso, esta aeronave não foi detectada pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro durante todo o percurso. O PR-DJJ, por sua vez, teve parte de sua trajetória monitorada por radares até instantes antes do acidente fatal.
Os dados recuperados do GPS indicam que, nos momentos que antecederam a colisão, o helicóptero PR-DJJ voava a uma velocidade aproximada de 125 nós, o que equivale a cerca de 230 km/h, e a uma altitude de 800 pés, aproximadamente 240 metros. Estes dados são cruciais para a investigação.
Condições Meteorológicas Favoráveis no Rio de Janeiro
As condições meteorológicas no dia do acidente eram consideradas favoráveis para o voo visual, segundo o reporte preliminar. A visibilidade era superior a 10 quilômetros, e não havia restrições climáticas que pudessem impedir a operação segura das aeronaves. Câmeras de segurança registraram o momento da colisão, e essas imagens integram o material de análise dos investigadores.
O Cenipa reitera que nenhuma hipótese foi descartada até o momento. As investigações prosseguem, com análises focadas nos aspectos operacionais, humanos, de aeronavegabilidade e de controle do espaço aéreo. O Relatório Final, que apontará os fatores contribuintes para o acidente, será divulgado ao término de todas as etapas da investigação.
Cantor Oliver Tree Entre as Seis Vítimas da Colisão Fatal
O cantor norte-americano Oliver Tree está entre as seis vítimas fatais do acidente aéreo no Recreio dos Bandeirantes. Das seis pessoas que morreram, cinco estavam em uma das aeronaves e a sexta vítima estava na outra. Os nomes dos falecidos foram divulgados, incluindo Alexandre Souza (piloto), Lucas Brito Chaves (passageiro), Nickel Oliver Tree (passageiro), Lucas Vignale (passageiro) e Gaspar Prim (passageiro).
Oliver Tree, conhecido mundialmente e com milhões de seguidores em plataformas como TikTok e Spotify, estava no Brasil para uma apresentação única em São Paulo, realizada em 6 de junho. O artista se preparava para iniciar sua turnê europeia em Lisboa, Portugal, no dia 1º de julho, quando a tragédia o vitimou. Seus hits, como “Life Goes On” e “Miss You”, acumulam centenas de milhões de reproduções.














