Celulares roubados na Maré eram vendidos em ‘shopping’ clandestino

Cidade da Polícia

Celulares roubados na Maré eram comercializados em um “shopping” clandestino localizado dentro do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. O espaço foi encontrado nesta quarta-feira (10), durante uma operação das polícias Civil e Militar contra atividades criminosas ligadas ao Terceiro Comando Puro (TCP).

Segundo a Polícia Civil, o local reunia diversas lojas usadas para vender celulares de origem ilícita e cigarros eletrônicos contrabandeados. Parte dos aparelhos já foi identificada como roubada, enquanto outros ainda passam por verificação.

Durante a ação, os agentes também localizaram uma estufa com 128 pés de maconha na Vila do João, um laboratório de cocaína, um galpão usado como depósito e um espaço onde funcionava uma mineradora de criptomoedas. Até a última atualização, 20 suspeitos haviam sido presos.

Em coletiva na Cidade da Polícia, a delegada Raíssa Celles, do Departamento-Geral de Polícia da Capital, afirmou que comunidades da região eram usadas para apoiar crimes como roubos de veículos, cargas e celulares.

“Foi encontrado um shoppingzinho com várias lojas e, no interior delas, havia uma grande quantidade de cigarros eletrônicos contrabandeados que estavam sendo expostos à venda, além de uma grande quantidade de celulares de origem ilícita. A gente está fazendo ainda a verificação da origem desses celulares, mas alguns já foram constatados como roubados”, explicou.

Apreensão de veículos e cargas roubadas

De acordo com a delegada, carros e motos também foram apreendidos durante a operação. Ela afirmou que o Complexo da Maré funcionava como esconderijo para criminosos e como área de armazenamento de materiais roubados.

“Essas comunidades estruturam marginais e servem como local de esconderijo, para que eles saiam pelas ruas praticando roubos e levem esses veículos para dentro da comunidade. Durante a operação, foi constatado também que eles fomentam e financiam o roubo de cargas. Hoje, foi encontrado um grande depósito com farta quantidade de material roubado, que ainda está sendo transportado, porque foi necessário o auxílio de vários caminhões para trazer esse material aqui para a Cidpol”, disse.

Segundo as investigações, a região recebia produtos provenientes de crimes praticados em diferentes comunidades dominadas pelo TCP. A quantidade de material apreendido exigiu o uso de caminhões da Polícia Militar para o transporte até a Cidade da Polícia.

Baile da Disney

Ainda conforme a Polícia Civil, parte das mercadorias roubadas era distribuída e vendida durante eventos realizados na comunidade, como o Baile da Disney.

“Nessa comunidade, especificamente, é realizado um baile conhecido como Baile da Disney e, nesse local, onde se finge estar apenas realizando uma festividade para a diversão da comunidade, ele é utilizado para a venda desse material roubado, de bebidas alcoólicas, de produtos alimentícios e também de drogas. É um ambiente onde essa facção criminosa ostenta forte poderio bélico, o que reafirma seu poderio e sua presença dentro da comunidade. É um local onde vários cantores fazem apologia ao crime, o que fortalece cada vez mais essas facções criminosas”, destacou.

A delegada ressaltou que a operação não tinha como foco apenas o tráfico de drogas, mas também a estrutura usada para sustentar outros crimes na região.

“A gente entrou hoje para defender o motorista de caminhão que está circulando nas vias expressas, trabalhando, e é roubado com violência por essa facção criminosa. A gente está defendendo todo cidadão de bem que tem seu celular subtraído e, ali, ele é facilmente revendido, tendo sua vida digital invadida. E a gente está protegendo a sociedade quando ela circula com seu veículo, seja como fonte de trabalho ou em momentos de lazer com a família, e é roubada violentamente por um marginal”, acrescentou.

Frentes de investigação

De acordo com a Polícia Civil, a operação reúne seis frentes investigativas conduzidas pela 21ª DP (Bonsucesso). As apurações apontam a atuação do TCP em diferentes crimes no território da Maré.

Além do tráfico de drogas, as investigações abrangem roubo de cargas, receptação de celulares, crimes contra crianças, violência doméstica e homicídios.

Limpatech