A Polícia Civil prendeu um homem suspeito de extorquir um provedor de internet em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na tarde de quarta-feira. Ele cobrava valores ilegais do dono da empresa sob ameaça de morte.
Davi Liberato de Araújo foi flagrado por policiais civis da 23ª DP (Méier) na Praça do Sabará. Segundo os agentes, a abordagem ocorreu exatamente no instante em que o homem pressionava o empresário local para receber pagamentos indevidos.
Esquema de extorsão impunha monopólio da internet em bairros de Caxias
As investigações começaram após a denúncia do empresário Elias Schuab, proprietário da empresa Primanet. O comerciante relatou aos policiais que vinha sofrendo ameaças frequentes para transferir dinheiro e entregar aparelhos da firma a criminosos ligados à facção Comando Vermelho.
Segundo a polícia, os criminosos exigiam pagamentos mensais para autorizar o funcionamento da rede nos bairros de Jardim Primavera, Rua 2 e Saracuruna. Quem recusasse o pagamento de propina ficava impedido de cabear as ruas, deixando clientes sem sinal de conexão.
Para forçar o acordo ilegal, os suspeitos usaram métodos violentos contra a empresa. Conforme o depoimento da vítima, um automóvel de serviço da provedora chegou a ser destruído pelos criminosos como forma de intimidação e recado público.
A investigação aponta que a quadrilha atuava com controle armado das áreas residenciais. De acordo com o inquérito policial, o esquema era chefiado localmente por Cristiano Oliveira Alves dos Santos Junior, o “Batata”, auxiliado por homens conhecidos pelos apelidos de Joab e Taz.
O próprio Davi chegou a ir até a casa do comerciante para avaliar o valor patrimonial da empresa de telecomunicações. Na ocasião, o suspeito afirmou abertamente que repassaria os dados pessoais dos sócios para os chefes do tráfico da região.
No momento da abordagem na Praça do Sabará, o suspeito alegou aos agentes que estava apenas negociando a compra do provedor de internet. Contudo, admitiu logo em seguida que executava ordens diretas de Batata para assumir as operações comerciais.
Durante a checagem dos documentos, os policiais constataram que Davi já usava tornozeleira eletrônica. Ele acumula oito anotações criminais anteriores por crimes graves, incluindo organização criminosa, roubo qualificado, receptação e furto mediante fraude.
No local da prisão em flagrante, a equipe da 23ª DP apreendeu dois aparelhos de telefone celular e um carro utilizado pelo investigado. O material passará por perícia técnica para rastrear as mensagens enviadas aos demais membros da quadrilha armada.
Como denunciar extorsões e cobranças ilegais
Moradores e pequenos empresários que enfrentam cobranças de taxas ilegais por grupos armados podem registrar denúncias totalmente anônimas no Disque Denúncia do Rio de Janeiro. A central atende pelo número de telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas todos os dias.
O serviço também aceita relatos de movimentações suspeitas pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ” e pelo canal de WhatsApp oficial no número (21) 2253-1177. Nenhuma informação de identificação do cidadão é solicitada ou repassada durante o atendimento.
Em casos de emergência ou abordagem no local de trabalho, o contato deve ser feito de forma imediata pelo telefone 190 da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, acionando a viatura da área para proteção dos profissionais.
O que fazer se você for vítima de ameaça
Comerciantes que sofrem ameaças de grupos criminosos devem reunir comprovantes de tentativas de contato, como prints de mensagens, áudios e números de chamadas telefônicas. Esses elementos auxiliam a polícia judiciária na identificação dos envolvidos.
Para crimes de extorsão com grave ameaça, o registro presencial é indispensável. O empresário pode procurar a delegacia da sua região ou registrar o caso na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO), localizada na Cidade da Polícia, na Rua São Francisco Xavier, 1374, no Jacarezinho.
É fundamental não negociar pagamentos por conta própria nem ceder às pressões dos suspeitos. Ceder a uma exigência inicial costuma transformar as extorsões em dívidas mensais crescentes e colocar em risco a vida de parentes e trabalhadores.
Como fica o serviço de internet na região
Moradores dos bairros de Saracuruna, Jardim Primavera e Rua 2 convivem com a instabilidade de serviços essenciais quando criminosos tentam expulsar empresas regulares. A Polícia Civil informou que o patrulhamento e as apurações continuam para desarticular os braços da facção na área.
Os provedores que tiverem cabeamento cortado clandestinamente ou veículos atacados devem notificar formalmente as autoridades policiais e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), permitindo o mapeamento dos pontos sem conexão.
Com a continuidade das investigações pela 23ª DP, os policiais buscam identificar e prender Batata, Joab e Taz, apontados como mandantes das ordens de intimidação que atingem prestadores de serviços em Duque de Caxias.















