Castro anuncia debandada de secretários e mantém indefinição sobre renúncia

Governador Cláudio Castro

Cláudio Castro anuncia debandada de secretários do primeiro escalão do governo do Rio de Janeiro e mantém indefinido seu próprio futuro político. O governador Cláudio Castro confirmou que cinco secretários estaduais deixarão os cargos até 1º de março para disputar a reeleição a mandatos parlamentares, mas afirmou que só decidirá até 3 de abril se renunciará ao posto, prazo limite previsto na legislação eleitoral.

Segundo Castro, apesar das especulações, ainda não há decisão sobre a saída do Palácio Guanabara. O governador, porém, indicou que, caso deixe o cargo, apoiará um nome de sua confiança para concluir o mandato. A sinalização ocorre em meio ao aquecimento do calendário eleitoral e à reorganização do secretariado.

A lista de secretários que deixarão o governo inclui Gustavo Tutuca (PP), do Turismo; Rosangela Gomes (PR), de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos; Bruno Dauaire (União), da Habitação; Anderson Moraes (PL), da Tecnologia; e Douglas Ruas (PL), das Cidades. Todos têm mandato de deputado e pretendem disputar a reeleição.

Questionado sobre a sucessão em caso de renúncia, Castro apontou o atual secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, como o nome preparado para assumir e encerrar o mandato. O governador fez elogios diretos ao auxiliar, destacando perfil técnico e experiência administrativa.

É um servidor público, sensato, honesto. Ele está preparado para o desafio. Não tenho dúvidas de que é a pessoa talhada hoje para encerrar esse ciclo, afirmou Castro, em declaração ao jornal O Globo.

Se optar por deixar o cargo, o governador precisará articular apoio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para viabilizar o nome indicado em uma eleição indireta. Castro disse confiar na base construída ao longo do mandato e na relação de diálogo com o Legislativo.

A gente governou junto com muito diálogo e parceria com os deputados. Não há motivo para a Alerj não aprovar o seu nome, disse.

A possibilidade de eleição indireta entrou no radar em maio do ano passado, após o então vice-governador Thiago Pampolha assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. Naquele momento, o cenário político previa outras composições, que acabaram alteradas ao longo do segundo semestre.

Nos últimos meses, a popularidade do governador cresceu após operações de segurança de grande impacto e com a abertura de uma possível vaga no Senado, o que recolocou a hipótese de candidatura no centro do debate. Pela regra, em caso de renúncia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro assume temporariamente e convoca eleições indiretas em até 30 dias para definir quem concluirá o mandato no Palácio Guanabara.

Enquanto mantém a indefinição, Castro acelera ajustes no governo e observa o tabuleiro político, que deve ganhar novos contornos nas próximas semanas com a formalização das candidaturas.

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