Caso de adolescente morto na Cidade de Deus leva parentes e amigos a protesto no Tribunal

Manifestação sobre adolescente morto na Cidade de Deus

Parentes e amigos de adolescente morto na Cidade de Deus se reuniram na manhã desta terça-feira (10) em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O protesto acontece no mesmo dia em que dois policiais militares enfrentam júri popular pela morte de Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, assassinado durante uma operação policial em 2023, em um caso que gerou comoção e questionamentos sobre a atuação da polícia.

O julgamento estava previsto inicialmente para o fim de janeiro, mas foi adiado após divergências envolvendo uma prova apresentada pela Defensoria Pública do Rio. A mudança de data gerou revolta entre familiares e amigos do adolescente, que acompanham o caso desde 2023 em busca de responsabilização e resposta da Justiça.

“Eu estou muito confiante na verdade — na verdade de quem o Thiago era. Um menino estudioso, participativo na escola e no futebol. Era amado, querido por todos pelo jeito dele. Thiago era alegre, sempre sorridente. Eu nunca imaginei perder meu filho de uma forma tão covarde”, afirmou Priscilla Menezes, mãe do adolescente, em depoimento ao g1. “Por isso, eu espero que esses policiais sejam responsabilizados, que sejam condenados, e que eu possa sair de lá com a resposta da Justiça”, completou.

Antes do início do julgamento, familiares e amigos permaneceram reunidos em frente ao tribunal pedindo a condenação dos policiais envolvidos no caso.

Quais são as acusações?

Os policiais militares do Batalhão de Choque Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria são acusados de homicídio e fraude processual. Ambos admitiram ter efetuado os disparos que atingiram Thiago Menezes Flausino, mas alegam que agiram em legítima defesa.

De acordo com a denúncia, os policiais estavam em um carro particular utilizado em uma operação considerada ilegal, conhecida como Operação Tróia, realizada na Cidade de Deus. Na ação, dois adolescentes foram alvos dos tiros. Um deles sobreviveu.

Os agentes afirmam que Thiago estaria armado e teria disparado contra eles. No entanto, familiares e testemunhas contestam essa versão, afirmando que não houve confronto e que o adolescente teria sido executado quando já estava caído no chão, de costas.

Durante o processo, a defesa de um dos policiais sustentou que Thiago teria ligação com o tráfico local. Conversas atribuídas ao adolescente foram anexadas ao processo, citando uma suposta liderança criminosa da região.

Disparos da polícia

Segundo testemunha que estava com Thiago no momento da ação, os dois circulavam pela comunidade em uma motocicleta pertencente ao pai do adolescente quando perderam o equilíbrio e caíram. Ao tentarem levantar o veículo, teriam sido surpreendidos por um carro descaracterizado, de onde os ocupantes desceram já efetuando disparos.

A investigação apontou que Thiago foi atingido por três tiros: um na parte traseira da perna, outro nas costas e um terceiro que perfurou ambas as canelas. Laudos confirmaram que nem o adolescente nem o outro jovem possuíam antecedentes criminais ou envolvimento com o tráfico de drogas.

O exame pericial no local do crime não encontrou vestígios que indicassem troca de tiros. Ainda segundo a investigação, os policiais teriam manipulado a cena, plantando uma pistola calibre 9 milímetros próxima ao corpo do adolescente para sustentar a versão de confronto.

Além de Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, outros policiais respondem por fraude processual na Justiça Militar. Dois deles também chegaram a ser denunciados por homicídio, mas não foram levados a júri popular por decisão judicial, que entendeu não haver indícios suficientes de autoria.

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