Caso Cão Orelha: além de adolescente, três adultos são indiciados pela polícia

cão Orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito do caso Cão Orelha, que apurou a morte do cachorro comunitário Orelha e os maus-tratos sofridos por outro cão, conhecido como Caramelo, na Praia Brava, em Florianópolis. Além de solicitar a internação de um adolescente apontado como responsável pela agressão fatal, a corporação indiciou três adultos por coação no curso do processo.

De acordo com a investigação, os três adultos — pais e um tio de adolescentes investigados, dois empresários e um advogado — são suspeitos de tentar intimidar um vigilante que possuía imagens consideradas fundamentais para o esclarecimento do caso. A polícia entende que houve tentativa de influenciar o andamento das apurações.

O cachorro Orelha, bastante conhecido e querido por moradores da região, foi agredido violentamente na madrugada de 4 de janeiro. Laudos periciais apontaram que o animal sofreu um golpe contundente na cabeça, que provocou ferimentos graves e levou à necessidade de eutanásia.

A investigação reuniu depoimentos de 24 testemunhas, analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança e utilizou recursos tecnológicos para rastrear a movimentação do adolescente apontado como autor da agressão. Segundo a polícia, houve contradições relevantes entre as imagens e o depoimento prestado pelo jovem.

De acordo com a corporação, o adolescente deixou o condomínio onde mora por volta das 5h25 e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga. Em depoimento, no entanto, ele afirmou que permaneceu todo o tempo dentro do condomínio, na área da piscina. Os investigadores classificaram a versão como falsa após a análise das imagens.

No mesmo dia do ataque a Orelha, outro cão, conhecido como Caramelo, também foi vítima de maus-tratos. O animal teria sido levado ao mar em uma tentativa de afogamento, da qual conseguiu escapar. Quatro adolescentes foram responsabilizados por esse episódio, enquadrado como ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.

Por força do Estatuto da Criança e do Adolescente, a Polícia Civil não divulgou nomes nem idades dos adolescentes envolvidos e também não confirmou se o mesmo jovem participou das duas ocorrências.

As apurações também indicaram que o adolescente apontado como autor da agressão a Orelha deixou o país após o caso ganhar repercussão e foi interceptado ao retornar ao Brasil. A defesa contesta as conclusões da polícia, alegando ausência de provas concretas e afirmando que o caso teria sido politizado.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, que irão analisar as provas reunidas e definir as medidas legais cabíveis.

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