O Caso Bruno Patrocínio trouxe à tona falhas graves em uma perseguição policial na Zona Norte do Rio. Em novembro de 2024, Bruno Bastos Patrocínio, de 47 anos, foi confundido com criminosos e atingido por quatro tiros disparados por policiais militares em Inhaúma. Quase um ano depois, ele ainda luta contra sequelas físicas e psicológicas e tenta reconstruir sua vida.
As imagens das câmeras corporais dos agentes, divulgadas pela TV Globo, revelam que os policiais não tinham certeza sobre o veículo que deveria ser perseguido. Durante a ação, houve troca de versões e até recolhimento de cápsulas no carro da vítima após os disparos. Bruno tentou parar o veículo e sinalizar rendição, mas acabou alvejado com quase 20 disparos.
Ferido, foi socorrido pelos próprios militares e levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. No hospital, as gravações mostram os PMs discutindo como relatar o ocorrido ao batalhão. Um deles orienta: Fala que o carro se evadiu (…) escutamos um estampido de disparo e disparamos e pronto. Foi o que aconteceu.
Bruno sobreviveu, mas carrega quatro projéteis alojados no abdômen. Ele desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático e foi considerado temporariamente incapaz de trabalhar. Na Justiça, pediu indenização e tratamento médico. A juíza Aline Maria Gomes Massoni da Costa determinou o pagamento de R$ 40 mil por danos morais, mas negou cobertura de despesas médicas, novo veículo e compensação financeira. A defesa recorreu.
Três policiais — o primeiro-sargento Fernando Gonçalves Pereira, o segundo-sargento Simon Santos do Nascimento e o cabo Max Moraes Braga Alves — respondem a processo criminal. O soldado Alencar Nascimento, que dirigia a viatura, não disparou. O inquérito da Polícia Judiciária Militar apontou irregularidades e concluiu que houve crime doloso, encaminhando o caso ao Ministério Público Militar.
Enquanto isso, Bruno recebe acompanhamento médico na Clínica da Família Bibi Vogel, no Engenho da Rainha. A Secretaria de Saúde informou que não há indicação para retirada dos projéteis, mas ele segue em consultas de saúde mental e psiquiatria. A Procuradoria-Geral do Estado informou que vai responder ao recurso da defesa.














