Um casarão antigo de dois andares desabou na manhã de sábado (19) na Rua Cosme Velho, número 370, no bairro do Cosme Velho, Zona Sul do Rio. Os escombros atingiram uma mulher de 43 anos e a filha dela, de apenas 2 anos, que passavam pela calçada no momento exato da queda.
As vítimas saíam de uma vila localizada ao lado do imóvel quando a estrutura veio abaixo. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro foram acionadas e socorreram mãe e filha. Ambas foram levadas para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, com ferimentos moderados.
Defesa Civil determina demolição e prefeitura anuncia desapropriação no Cosme Velho
A Defesa Civil Municipal realizou vistoria técnica no local e interditou totalmente o casarão que ruiu. O segundo andar do prédio vizinho também precisou ser isolado pelas equipes por apresentar riscos estruturais. O órgão determinou que o segundo pavimento de ambos os imóveis terá que ser demolido para garantir a segurança de pedestres e moradores da região.
A Secretaria Municipal de Conservação (Seconserva) e a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) foram chamadas para realizar os trabalhos de derrubada controlada e remoção das toneladas de escombros. A Prefeitura do Rio de Janeiro confirmou que vai desapropriar o terreno do imóvel. A medida deve ser oficializada com a publicação do decreto no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (22).
Alertas antigos e histórico de vistorias do imóvel
O casarão abandonado já era alvo de preocupação constante de quem mora e passa pelo local. Segundo a Defesa Civil, o órgão já havia realizado três vistorias no endereço antes do desabamento. Em 2023, o proprietário do imóvel foi notificado e orientado a fazer obras de recuperação estrutural.
Como as intervenções não foram feitas, outras duas vistorias foram executadas em 2025, resultando na interdição do local. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano informou que também já tinha intimado o dono do casarão a realizar a reforma completa, incluindo a restauração da fachada, o que nunca foi cumprido.
A Associação de Moradores do Cosme Velho também já tinha enviado alertas formais sobre o risco de tragédia. Em ofício emitido em março deste ano, a associação detalhou o péssimo estado do casarão e do prédio ao lado, no número 362, onde funcionou por anos a Panificação Rainha. O documento denunciava infiltrações graves, telhados caindo e calçada estreita que obrigava pedestres a passarem perto da estrutura ameaçada.
Como fica a região do Cosme Velho nos próximos dias
O trecho da Rua Cosme Velho próximo ao número 370 passa por intervenções e pode ter retenções no trânsito durante o trabalho dos maquinários pesados da Seconserva e da Comlurb. Pedestres devem evitar transitar pela calçada afetada até que a remoção total dos entulhos e a demolição do segundo andar sejam concluídas.
Além da desapropriação deste casarão, o município anunciou que vai aplicar a mesma medida para outros imóveis históricos abandonados na região, como a Casa Portinari e o Solar dos Abacaxis, com o objetivo de levá-los a leilão público e evitar novos acidentes.
O que fazer em caso de risco de desabamento ou imóvel abandonado
Moradores do Rio de Janeiro que identificarem rachaduras, infiltrações graves, estalos ou partes soltas em fachadas de prédios vizinhos devem acionar imediatamente os órgãos públicos de fiscalização e emergência. Veja como agir e onde pedir ajuda:
- Defesa Civil Municipal: Ligue para o número 199 em caso de emergência ou risco iminente de desabamento. O atendimento funciona 24 horas por dia.
- Corpo de Bombeiros: Ligue para o 193 se houver desabamento com vítimas presas ou feridas.
- Central de Atendimento da Prefeitura (Central 1746): Pode ser acionada pelo telefone 1746 ou pelo aplicativo 1746 Rio para denunciar imóveis abandonados com estrutura comprometida ou mato alto.
- Vistoria prévia: Sempre que observar rachaduras diagonais em paredes ou estalos na madeira e concreto, saia do local e avise os vizinhos imediatamente.
Como denunciar descaso e imóveis irregulares na cidade
Para informar a Prefeitura sobre imóveis que colocam a população em perigo ou para solicitar vistorias em áreas de risco, o cidadão pode utilizar os canais oficiais de comunicação do município. O registro de chamados gera um número de protocolo para acompanhamento das ações dos fiscais.
O atendimento telefônico pelo 1746 é gratuito e funciona diariamente. Ao fazer a solicitação, informe o endereço completo do local, com ponto de referência e, se possível, detalhes sobre os problemas visíveis na construção, como ferragens expostas, inclinação de paredes ou queda de telhas.














