As câmeras da Prefeitura do Rio de Janeiro ajudaram a Polícia Civil a rastrear o Bonde do Loirinho, apontado como o maior grupo de roubos de veículos do estado. O sistema Civitas, Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública, forneceu informações detalhadas que levaram à localização de integrantes da quadrilha, resultando em um confronto no fim de setembro.
No dia 25 de setembro, Vinicius Farias de Azeredo, considerado um dos principais integrantes do grupo, foi morto em Olaria, na Zona Norte, enquanto dirigia um Toyota Corolla preto roubado. Segundo a Polícia Civil, a operação só foi possível graças ao cruzamento de dados das câmeras municipais, que monitoravam a circulação do veículo pela cidade.
A ação fez parte de uma colaboração entre a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP) e o Civitas. No dia 15 de setembro, a polícia havia solicitado o histórico de um carro usado em diversos crimes. A central entregou relatórios com o trajeto, horários e áreas de atuação dos suspeitos. Dez dias depois, o bando trocou as placas do automóvel, mas o novo número foi rapidamente inserido no cerco eletrônico da Prefeitura, que emitiu quatro alertas em tempo real entre 23h50 e 1h40, permitindo o cerco e a abordagem dos agentes.
Durante a ação, foram apreendidos um fuzil, uma granada, um bloqueador de GPS, colete balístico e uma pistola. O episódio integrou a Operação Torniquete, criada para combater roubos, furtos e receptação de veículos e cargas no estado. Vinicius, ligado à facção Comando Vermelho, era investigado por ao menos dez assaltos em regiões como Zona Sul, Praça da Bandeira, Tijuca e Centro.
De acordo com as investigações, o Bonde do Loirinho é comandado por Rodrigo Correia Martins da Piedade, o Loirinho, foragido desde 2018 e com 14 mandados de prisão em aberto. Entre as vítimas do grupo está o goleiro Rossi, do Flamengo, que teve seu carro blindado atingido por tiros durante uma tentativa de assalto na Linha Amarela, em maio deste ano. Ele não se feriu.
As forças de segurança monitoraram os passos do grupo por quatro meses até chegar ao confronto em Olaria. Segundo os agentes, Vinicius e um cúmplice seguiam em direção à Zona Sul para cometer novos roubos quando foram interceptados na Rua Uranos, perto do Complexo da Penha. O segundo criminoso conseguiu escapar, e as buscas por ele continuam.
Os investigadores afirmam que o Bonde do Loirinho costuma agir no fim da noite e início da madrugada. Turistas também foram alvos recentes: em frente ao Aeroporto Santos Dumont, criminosos armados foram flagrados em vídeo ameaçando visitantes e roubando celulares.
Participaram da operação policiais da DRFA-CAP, Draco-IE, 18ª DP (Praça da Bandeira), 22ª DP (Penha) e setores de inteligência do DPA e DGPE, com apoio do Civitas. No mesmo dia, o Disque Denúncia divulgou cartaz pedindo informações que levem à captura de Rodrigo “Loirinho”, considerado um criminoso de alta periculosidade.
Não é a primeira vez que o sistema municipal ajuda no combate ao crime. Em 1999, câmeras da CET-Rio já haviam flagrado um comboio de traficantes armados no Engenho de Dentro, liderado por Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor. A tecnologia agora evoluiu com o Civitas, ampliando a integração entre monitoramento urbano e segurança pública.














