Búzios suspende obras no Mirante do Pai Vitório após críticas de ambientalistas

Mirante do Pai Vitório

As obras no Mirante do Pai Vitório, em Búzios, foram suspensas pela prefeitura após críticas de ambientalistas e recomendação do Ministério Público Federal. O ponto turístico, localizado na Região dos Lagos e inserido no território do Quilombo da Rasa, passará por uma consulta pública antes que o projeto seja retomado. A decisão surge após questionamentos sobre possíveis impactos ambientais e socioculturais na área, conforme noticiado pelo jornal O Globo.

A reunião para debater o projeto está marcada para o dia 27 e contará com a presença de representantes de órgãos ambientais, entidades de patrimônio histórico e membros da comunidade quilombola. O MPF ressaltou que o município deve seguir a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que garante consulta prévia e informada sempre que intervenções possam afetar populações tradicionais.

A prefeitura reconheceu que não realizou essa consulta antes do início das obras, em setembro, e decidiu suspender o projeto no dia 7. Para o procurador da República Leandro Mitidieri, a medida representa um avanço no diálogo com as comunidades tradicionais, sendo “um dos primeiros casos em que o município parou uma obra para ouvir a comunidade”.

Ambientalistas questionam a forma como as intervenções foram conduzidas, especialmente a abertura de sapatas e perfurações em uma falha geológica considerada sensível. A advogada Carolina Mazieri afirmou que o processo desconsiderou o licenciamento ambiental necessário e que a execução ocorreu “de maneira atropelada”, reforçando a pressão para revisão do projeto.

A prefeitura contesta qualquer irregularidade. A secretária municipal de Meio Ambiente, Roseli Almeida, declarou que todos os estudos de impacto foram devidamente realizados e classificou o plano como “uma intervenção de impacto insignificante”. Ela acrescentou que o debate gira em torno da necessidade de anuência dos órgãos responsáveis, ponto que será tratado na consulta pública.

O projeto prevê dois mirantes: um sobre uma estrutura já existente, que receberá um posto da Guarda Ambiental e uma exposição cultural sobre o quilombo; e outro no topo do ponto turístico, com deque de madeira e degraus diretamente assentados no solo, sem perfurações adicionais. Trilhas serão reorganizadas e uma delas fechada para reflorestamento por oferecer riscos aos visitantes.

O Quilombo da Rasa, por sua vez, declarou apoio às intervenções. Para Cassiane da Rocha Oliveira, vice-presidente da associação quilombola, o plano ajuda a organizar o turismo e fortalecer a identidade local. “Agora a gente vai ter acesso ao que é nosso”, afirmou.

O Ministério Público do Rio também acompanha o caso e já solicitou documentação referente ao licenciamento e às autorizações necessárias. O órgão destacou que não há Termo de Ajustamento de Conduta válido para a obra e que qualquer intervenção depende de estudos ambientais completos. O MPRJ aguarda posicionamento da prefeitura para definir as próximas medidas.

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