O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, prestou depoimento ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) nesta quinta-feira (29), por videoconferência. A audiência tratou de uma acusação de que o jogador teria forçado um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 2023, supostamente para beneficiar um grupo de apostadores.
O depoimento estava inicialmente marcado para a última segunda-feira (26), mas foi remarcado a pedido da defesa do atleta, que justificou conflito de horário com um treino no Ninho do Urubu. Aproveitando a folga na agenda rubro-negra, Bruno Henrique compareceu virtualmente à sessão.
O jogador aguarda agora a conclusão do inquérito para saber se será formalmente denunciado ou se o processo será arquivado. Como não há pedido de suspensão preventiva, o camisa 27 segue liberado para defender o Flamengo normalmente nas próximas rodadas.
Caso seja denunciado, Bruno Henrique pode ser enquadrado no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de manipulação de resultados. A pena varia entre seis meses e dois anos de suspensão.
Entenda o caso
A investigação teve início após denúncias de apostas envolvendo familiares e amigos de Bruno Henrique. De acordo com informações apuradas pela Polícia Federal, o jogador teria combinado de receber um cartão amarelo durante o jogo contra o Santos, o que se concretizou nos acréscimos do segundo tempo, após uma falta cometida sobre o atacante Soteldo.
A jogada foi interpretada como intencional e levantou suspeitas ao ser combinada com movimentações suspeitas em plataformas de apostas esportivas. Logo após a falta, Bruno Henrique ainda foi expulso por reclamação.
Entre os nomes ligados ao suposto esquema estão o irmão do jogador, Wander Nunes Pinto Júnior, a cunhada Ludymilla Araújo Lima e a prima Poliana Ester Nunes Cardoso. Eles teriam realizado apostas específicas sobre a advertência ao atleta. Segundo o inquérito, um segundo grupo, composto por amigos de Wander, também teria apostado sabendo da combinação.
Mensagens encontradas no celular do irmão de Bruno Henrique indicam conversas com o próprio atacante. Em uma delas, Wander pergunta quando o cartão seria recebido, ao que o jogador responde: “Contra o Santos.”
Apesar do impacto da denúncia, o jogador ainda não foi penalizado oficialmente. O STJD analisa as provas coletadas pela PF e pode decidir por arquivamento, denúncia ou até abertura de um processo disciplinar.
Internamente, o Flamengo tem adotado postura de cautela. A diretoria acompanha os desdobramentos e, até o momento, mantém o jogador à disposição da comissão técnica. Bruno Henrique é considerado peça importante no elenco rubro-negro, com histórico de títulos e atuações decisivas desde sua chegada ao clube.
Nos bastidores, há preocupação com o impacto da repercussão no ambiente do clube e na imagem do atleta. Por outro lado, o entorno do jogador reforça que ele está tranquilo e confiante de que conseguirá provar sua inocência.














