O cantor, compositor e pianista Benito di Paula faleceu neste domingo (18/10), aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho, onde tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano.
A perda comove fãs em todo o país e deixa em luto a Região Serrana e a cidade do Rio de Janeiro, lugares fundamentais no início de sua trajetória artística.
A perda de um ícone que revolucionou o samba ao piano
Dono de uma voz marcante e de um estilo inconfundível que juntou o piano ao samba tradicional, Benito di Paula marcou mais de cinco décadas de história na música brasileira. Nascido com o nome de batismo Uday Veloso em 28 de novembro de 1941, na cidade de Nova Friburgo, ele aprendeu as primeiras notas musicais dentro de casa, cercado por uma família humilde e numerosa de 13 irmãos.
Seu pai, José Veloso, era ferroviário e tocava violão, bandolim e piano, servindo como a primeira grande referência para o artista. Antes de rodar o Brasil e ganhar as paradas de sucesso com clássicos como Retalhos de Cetim, Mulher Brasileira e Charlie Brown, o jovem talento subiu nos palcos da serra fluminense ainda na adolescência. Foi no Hotel Avenida, no Centro de Nova Friburgo, que ele se apresentou profissionalmente pela primeira vez, adotando o nome artístico que o consagrou.
A juventude no Morro da Formiga e a noite carioca
A ligação de Benito com a capital fluminense começou de forma dura e marcada pelo trabalho pesado. Aos 17 anos, ele saiu da Região Serrana para prestar o serviço militar obrigatório no Exército e se instalou no Morro da Formiga, comunidade localizada na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Para mandar dinheiro para a família em Nova Friburgo, o jovem músico passou a tocar e cantar em boates da Zona Sul carioca. O ponto de virada foi sua atuação na boate Balalaika, em Copacabana, um dos endereços mais famosos da vida noturna da cidade nos anos 1960. Naquele ambiente efervescente, ele misturava seresta, bolero e samba, lapidando o repertório que logo ganharia projeção comercial ao se mudar para Santos e São Paulo.
A passagem marcante pelos palcos da Lapa
Mesmo após consolidar seu sucesso em escala nacional, Benito di Paula manteve laços frequentes com o público fluminense. Nos anos 1980, suas apresentações na tradicional casa noturna Asa Branca, no bairro boêmio da Lapa, atraíam multidões ao lado de amigos como Gonzaguinha e Cauby Peixoto.
O cantor nunca esqueceu o carinho pelo Rio de Janeiro e sempre ressaltava em suas entrevistas que a vivência nos morros e nos palcos da capital moldou seu caráter e sua sensibilidade artística. O público do estado sempre respondeu a essa relação com salas cheias e homenagens contínuas em seus espetáculos e nos desfiles de escolas de samba.
Homenagens e projetos na cidade natal
Em Nova Friburgo, terra onde o músico deu seus primeiros passos, a relação de afeto continuava viva. Em junho de 2023, a Câmara Municipal da cidade aprovou por decisão unânime um projeto de indicação legislativa para construir uma estátua de bronze em sua homenagem.
A ideia previa colocar a escultura em uma área turística central, simbolizando a música Homem da Montanha, composição onde Benito exaltava suas raízes na serra. A partida do músico deixa o projeto como um dos principais pontos para manter viva sua memória física na terra em que nasceu.
O que o público e os fãs devem saber sobre as homenagens
Até a última atualização desta matéria, os detalhes a respeito do velório e do sepultamento do artista ainda não haviam sido divulgados de maneira completa pela família nem pela administração do Hospital 9 de Julho, localizado na Rua Peixoto Gomide, na capital paulista.
Informações sobre possíveis cerimônias abertas ao público ou cortejos no estado do Rio de Janeiro deverão ser confirmadas nas próximas horas pelos canais oficiais do artista e por familiares. O legado musical de Benito permanece disponível em plataformas digitais e em dezenas de discos lançados ao longo de sua trajetória.















