Um bebê de apenas quatro meses morreu na terça-feira após receber leite injetado diretamente na veia em um hospital particular de Goiana. A equipe médica deveria administrar o alimento por uma sonda gástrica, mas cometeu o erro fatal.
A vítima foi identificada pela família como Miguel Ângelo Barbosa. O menino estava internado para tratar complicações respiratórias comuns no período da infância, mas a falha grave no protocolo assistencial interrompeu o tratamento de forma trágica.
Erro grave na aplicação de leite causa a morte de Miguel Ângelo
Miguel Ângelo deu entrada na rede de saúde no dia 11 de outubro, inicialmente atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Igarassu. Devido ao quadro clínico diagnosticado como bronquiolite, a equipe médica optou pela transferência do bebê para o Hospital Memorial de Goiana, uma instituição privada situada na Zona da Mata Norte pernambucana.
Durante o período de internação, a criança dependia de suporte alimentar administrado por sondas médicas. O procedimento correto exigia que o leite fosse infundido pelo tubo nasogástrico ou orogástrico, que leva o alimento diretamente até o estômago. No entanto, o líquido foi aplicado no cateter de acesso venoso, destinado exclusivamente a soros e medicações na corrente sanguínea.
A entrada de substâncias densas e inadequadas na veia, como fórmulas infantis ou leite materno, causa embolia imediata, bloqueio na circulação sanguínea e parada cardiorrespiratória. A equipe de plantão tentou manobras de reanimação assim que o erro foi percebido, mas o menino não resistiu ao impacto do alimento na corrente sanguínea.
O que já se sabe sobre o caso
A administração indevida de substâncias é considerada um evento adverso gravíssimo pelos órgãos de fiscalização hospitalar. Os primeiros levantamentos apontam que houve confusão direta entre a via gástrica e a via parenteral no leito onde a criança se recuperava da infecção respiratória.
A família relatou às autoridades que o menino apresentava melhora no quadro de bronquiolite e tinha previsão de evolução positiva até a ocorrência da falha fatal. As conexões de cateteres venosos e sondas de alimentação possuem padrões técnicos para evitar trocas, motivo pelo qual a atuação do profissional responsável pelo procedimento é o foco central da perícia.
O corpo da criança foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de necropsia oficial, documento fundamental que vai atestar a causa médica da morte e detalhar o trajeto do líquido pelo organismo.
Quem responde por isso e como anda a investigação
O caso está sob responsabilidade da Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar a autoria e as circunstâncias da morte. A investigação analisa a conduta individual dos profissionais de enfermagem escalados no plantão e a supervisão técnica da unidade hospitalar.
Os envolvidos diretamente no atendimento ao paciente podem responder pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas ocorre negligência, imperícia ou imprudência. O hospital particular também deve prestar esclarecimentos formais sobre os protocolos internos de segurança do paciente e rotulagem das vias de medicação.
Paralelamente, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) abre processo administrativo disciplinar quando toma conhecimento desse tipo de falha técnica, podendo aplicar penalidades que variam de advertência à cassação definitiva do registro profissional dos envolvidos.
O que fazer se você foi vítima de erro médico
Casos de falha médica ou negligência hospitalar exigem ação rápida dos familiares para garantir a coleta de provas e o esclarecimento dos fatos na Justiça:
- Solicite o prontuário completo: Vá à administração do hospital e exija cópia integral autenticada de todo o prontuário médico. Por lei, a instituição é obrigada a fornecer o documento com anotações de plantão, remédios e prescrições.
- Faça o boletim de ocorrência: Procure a delegacia mais próxima imediatamente. A autoridade policial requisitará o exame pericial junto ao IML para confirmar a causa da morte.
- Acione os órgãos fiscalizadores: Registre denúncia formal junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) ou Conselho Regional de Enfermagem (Coren), além da ouvidoria do hospital e da Defensoria Pública do Estado.
- Guarde comprovantes: Mantenha receitas, pulseiras de identificação, fotos de prescrições e recibos de pagamento de internação.
Como denunciar negligência em unidades de saúde
Familiares que suspeitarem de negligência, maus-tratos ou atendimento inadequado em hospitais públicos ou conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) podem formalizar queixas pelo Disque Saúde, no telefone 136, serviço com ligação gratuita em todo o país.
Para a apuração criminal em território fluminense e suporte investigativo interestadual, informações e denúncias anônimas podem ser repassadas ao Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177, que funciona 24 horas por dia. O Ministério Público Estadual também mantém canais de ouvidoria para apurar irregularidades graves em leitos hospitalares.














