Barulho na Glória: moradores denunciam excesso de eventos e perturbação do sossego

Praça París

O barulho na Glória tem sido motivo de queixa de moradores, que denunciam excesso de eventos nos fins de semana e perturbação constante do sossego. Relatos apontam que a região da Zona Sul do Rio tem enfrentado música alta desde as primeiras horas da manhã até a noite, afetando o descanso de famílias, idosos, animais e crianças neurodivergentes. No último domingo, o bairro recebeu rodas de samba, shows, bloco de Carnaval e até um trio elétrico, prolongando o som até perto das 22h.

Segundo moradores, o domingo começou com um trio elétrico que animava uma corrida de rua no Aterro do Flamengo, cujo circuito passou pela Glória. Durante o dia, houve rodas de samba nas Praças Paris e Edson Cortes, apresentações de rock na Praça Marechal Deodoro e um bloco de Carnaval clandestino na Praça Pedro Álvares Cabral. A soma dos eventos e a proximidade entre eles ampliaram o impacto sonoro na região.

O diretor da Associação de Moradores e Amigos da Glória (AMA-Glória), Bruno Souza, afirma que esse cenário se repete todo fim de semana desde o início do ano. Ele relata que as noites de sábado começam com boates próximas ao Aeroporto Santos Dumont e, na madrugada, o barulho segue até a chegada das corridas no domingo. Entre segunda e sexta, ensaios de blocos de Carnaval ocorrem das 20h às 22h. Para ele, a falta de fiscalização tem agravado o problema.

Ele lembra que rodas de samba que antes aconteciam mensalmente agora se tornaram semanais, com duração de até dez horas. Segundo Bruno, mesmo com janelas fechadas e ar-condicionado ligado, muitos moradores não conseguem dormir. No último domingo, candidatos do Enem que realizavam prova no Colégio Estadual Deodoro, na Rua da Glória, também foram prejudicados. Ele mesmo precisou ir para a casa do pai em outro bairro para estudar para o mestrado.

Um morador da Rua do Russel, que preferiu não se identificar, afirma que dois bares próximos têm desrespeitado os limites de volume e horário. Ele conta que até mesmo durante a semana o descanso após o trabalho tem sido comprometido, apontando sinais de desordem urbana no bairro. Segundo ele, os moradores valorizam a cultura e o entretenimento, mas a situação se tornou uma questão de saúde pública, agravada pela liberação excessiva de licenças e pelo serviço ineficiente do canal 1746.

Henrique de Souza, organizador da Gloriosa Roda de Samba, que ocorre há 13 anos no terceiro domingo do mês e se apresentou na Praça Edson Cortes, afirma que o grupo respeita limites de decibéis e horários. Ele contou que, no último evento, um equipamento queimou e prejudicou a apresentação, enquanto outros eventos aconteciam simultaneamente. Paulão 7 Cordas, diretor musical e morador do bairro, reforçou que o grupo integra a Rede Carioca de Rodas de Samba e cumpre todas as normas municipais.

O presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro (Amag), Wilson Guedes, disse que o problema foi comunicado à Subprefeitura do Centro e discutido em reunião realizada em fevereiro. No sábado anterior, moradores organizaram um abaixo-assinado pedindo mudanças. Guedes defende que limitar a quantidade de eventos e reforçar a fiscalização são medidas urgentes para equilibrar lazer e bem-estar. Ele sugere punições para eventos que ultrapassem os limites sonoros e afirma que, sem mudanças, o verão será ainda mais crítico para quem vive na Glória.

Procurada, a Prefeitura informou que a Guarda Municipal atua com equipes a pé e motorizadas na região para coibir irregularidades sonoras. A instituição reforça que, junto com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), realiza fiscalizações frequentes de perturbação do sossego, usando equipamentos de medição para verificar limites de decibéis. A orientação é que a população acione o 1746. Segundo o município, mais de 500 multas por perturbação do sossego foram aplicadas este ano, e seis alvarás de estabelecimentos foram cassados pelo mesmo motivo.

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