Auditoria nos Bombeiros do RJ: Ricardo Couto Determina Investigação em Contratos Após Proposta de R$ 25 Milhões ao Instituto Suspeito

Corpo de Bombeiros do Rio

Ricardo Couto ordena auditoria em contratos dos Bombeiros do Rio de Janeiro após proposta de convênio milionário com entidade sob investigação

O governo do Estado do Rio de Janeiro intensificou a fiscalização sobre os contratos do Corpo de Bombeiros Militar. A decisão surge após uma tentativa de firmar um convênio de R$ 25 milhões com o Instituto Rio Metrôpole (IRM), uma entidade que enfrenta investigações por suspeitas de corrupção. A medida foi determinada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que determinou uma auditoria completa em todos os acordos da corporação.

A iniciativa de Ricardo Couto foi motivada pela proposta de destinar recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento de desastres naturais, projeto do IRM. No entanto, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) vetou a operação, alegando que o Funesbom tem destinação específica para investimentos diretos na atividade dos bombeiros, como a compra de viaturas e equipamentos.

Após uma reunião entre Ricardo Couto e o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Tarciso Antônio de Salles, o processo administrativo relacionado ao convênio foi encerrado. A investigação agora se aprofunda na relação entre o coronel Salles e Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, ex-presidente do IRM e amigo de longa data do comandante. Conforme apurado, ambos mantêm uma amizade antiga, e o coronel Salles chegou a homenagear Didê em eventos recentes, inclusive com a entrega de uma medalha e uma mensagem em vídeo, meses antes da prisão de Vermelho.

Davi Perini Vermelho, o Didê, é investigado por esquema milionário de corrupção

Davi Perini Vermelho, o Didê, encontra-se preso preventivamente e é alvo de investigações por suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção que somam R$ 86 milhões em contratos. Por integrar a reserva do Corpo de Bombeiros, ele está detido no Grupamento Especial Prisional da corporação. A proposta de convênio, que previa o repasse de R$ 25 milhões do Funesbom ao IRM para o sistema de monitoramento, foi barrada pela PGE e posteriormente arquivada, o que desencadeou a ampliação da revisão dos contratos dos Bombeiros pelo governo estadual.

Mudanças na estrutura do Instituto Rio Metrôpole e defesa de Vermelho

Em paralelo às investigações, a gestão de Ricardo Couto promoveu alterações significativas na estrutura do Instituto Rio Metrôpole. Além da exoneração de Didê, outras 13 pessoas foram afastadas de seus cargos, e novas dispensas são esperadas. Em sua defesa, Davi Perini Vermelho, por meio de seus advogados, afirmou que todos os contratos e convênios firmados durante sua gestão seguiram os ritos administrativos e contaram com pareceres jurídicos favoráveis. A defesa também argumentou que o convênio com os Bombeiros não faz parte da investigação atual e que acordos entre órgãos públicos não devem ser considerados ilícitos apenas pela relação pessoal entre gestores.

Corpo de Bombeiros e Secretaria de Defesa Civil esclarecem tramitação do convênio

A Secretaria de Estado de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros emitiram uma nota oficial esclarecendo que a proposta do Instituto Rio Metrôpole passou por todas as etapas administrativas, incluindo análises técnicas, financeiras e jurídicas. Segundo o comunicado, todas as manifestações concluíram pela inviabilidade da proposta nos moldes apresentados. Diante disso, o comandante-geral Tarciso Antônio de Salles determinou o encerramento do processo, acatando os pareceres técnicos e jurídicos. A nota ressaltou que a relação entre Salles e Didê ocorreu no âmbito institucional, dado que Didê possuía trajetória nos Bombeiros e comandava uma autarquia estadual. Nenhum recurso do Funesbom foi transferido ao instituto.

Custódia de Davi Perini Vermelho segue legislação e fiscalização judicial

Em outra nota, a Secretaria de Estado de Defesa Civil detalhou que a permanência de Davi Perini Vermelho no Grupamento Especial Prisional atende rigorosamente à legislação e a determinações judiciais. A unidade é fiscalizada pela Corregedoria e pelo Poder Judiciário, com uma inspeção surpresa realizada pela Vara de Execuções Penais em julho de 2026, que não registrou irregularidades. O tenente-coronel Sirlei Gomes Gonçalves lidera o Grupamento Especial Prisional desde maio de 2025, sob fiscalização constante dos órgãos de controle. O Corpo de Bombeiros reafirmou o compromisso com a legalidade, transparência e o interesse público em todas as suas ações.

Limpatech