Áudio em Operação da PF cita diretor da Polícia Civil de SP, Fabio Pinheiro Lopes, em investigação do PCC

Diretor da Polícia Civil de SP, Fabio Pinheiro Lopes, é mencionado em áudio de investigação da PF sobre esquema ligado ao PCC

Um áudio interceptado pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Exchange trouxe à tona o nome do delegado Fabio Pinheiro Lopes, atual diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) da Polícia Civil de São Paulo.

A gravação sugere um possível envolvimento do delegado em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). É importante ressaltar que, até o momento, Fabio Pinheiro Lopes não é alvo formal da operação, não foi denunciado nem acusado.

O delegado já se pronunciou oficialmente, negando veementemente qualquer conexão com os investigados e afirmando que tomará as medidas judiciais cabíveis contra o responsável pela menção ao seu nome. As informações são baseadas em conteúdo divulgado pela imprensa.

Áudio levanta suspeitas de repasse financeiro ao delegado

De acordo com a apuração da PF, um áudio datado de maio de 2024, enviado pelo advogado Romany Cutolo Bonente ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, faz referência a um repasse de R$ 100 mil a uma pessoa identificada como “Fabio Caipira do Deic”. Esse apelido é atribuído ao delegado Fabio Pinheiro Lopes.

A gravação, que consta em decisão judicial que autorizou a Operação Exchange, traz a seguinte fala do advogado: “Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou.”

Para a Polícia Federal, o conteúdo do áudio pode indicar a necessidade de um aprofundamento das investigações sobre uma eventual prática de corrupção. Contudo, reforça-se que não há, até o momento, qualquer acusação formal contra o delegado.

Fabio Pinheiro Lopes nega veementemente as acusações e anuncia defesa

Em sua defesa, Fabio Pinheiro Lopes declarou desconhecer tanto o empresário Victor Shimada quanto o advogado Romany Bonente. O delegado enfatizou que nunca foi alvo de investigações pela Polícia Federal.

Ele informou que pretende processar criminalmente o advogado que o mencionou na gravação. Além disso, registrou boletim de ocorrência pelos crimes de calúnia, difamação e tráfico de influência, alegando que seu nome estaria sendo indevidamente utilizado por profissionais para obter vantagens junto a clientes.

Nome do delegado já surgiu em outra investigação anterior

Esta não é a primeira vez que o nome de Fabio Pinheiro Lopes aparece em investigações. Em dezembro de 2024, ele foi afastado do comando do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) após ser citado na delação do empresário Vinícius Gritzbach.

Na ocasião, Gritzbach alegou ter pago R$ 5 milhões a um advogado que supostamente prometia interferir em investigações conduzidas pelo Deic. Fabio Pinheiro Lopes sempre negou as acusações. Em março de 2025, o Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação por falta de provas, e posteriormente, o delegado foi nomeado diretor do Dope.

Operação Exchange foca em desarticular esquema de lavagem de dinheiro do PCC

Deflagrada nesta sexta-feira (3), a Operação Exchange tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, com fortes indícios de ligação com o PCC. A PF detalha que o grupo utilizava operações financeiras complexas.

A organização empregava movimentações bancárias, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptomoedas para ocultar recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos dos investigados. Até o momento, sete pessoas foram presas, e outras continuam foragidas.

O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado foragido pela PF, é apontado como um elo crucial do PCC. Autoridades dos Estados Unidos também o sancionaram, indicando-o como uma ligação entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais, tendo movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos via criptomoedas para a organização. Shimada também é investigado no Brasil no caso VaideBet.

Limpatech