O professor e educador popular Nicolas Calabrese, integrante da missão Global Sumud Flotilla, chegou ao Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira (6) após ser deportado de Israel. O ativista da flotilha humanitária foi detido quando o grupo tentava levar alimentos e remédios à população de Gaza e relatou ter sofrido violência psicológica e restrições de alimentação e água potável durante o período em que esteve preso.
Calabrese, que possui cidadania argentina e italiana, vive há mais de uma década no Brasil, onde atua na Rede Emancipa e é militante do PSOL. Ele foi deportado em um voo coordenado pela Embaixada da Turquia em Tel Aviv, junto a 137 ativistas de diferentes nacionalidades. O consulado italiano arcou com os custos da viagem até o Brasil.
O Itamaraty confirmou que os 13 brasileiros ainda detidos em Israel devem ser deportados nesta terça-feira (7) para a Jordânia. Segundo o comunicado, eles deixarão a prisão de Ktzi’ot, no deserto de Naqab, pela manhã e seguirão até a Ponte Allenby, na fronteira com a Jordânia, onde a Embaixada do Brasil em Amã acompanhará a chegada e prestará assistência médica e consular.
Durante o período de detenção, Calabrese descreveu um cenário de violência psicológica, alimentação precária e falta de acesso à água potável, o que também foi confirmado por relatório diplomático da Embaixada do Brasil em Tel Aviv, após visita à prisão de Ktzi’ot. O documento registra ainda que os representantes brasileiros protestaram contra os maus-tratos e cobraram explicações das autoridades israelenses.
O grupo brasileiro, formado por 14 integrantes — entre eles o cineasta Miguel Viveiros de Castro e a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) —, continua sob custódia israelense. Quatro deles, Thiago Ávila, João Aguiar, Bruno Gilga e Ariadne Telles, estão em greve de fome como forma de protesto. Ariadne anunciou também que iniciaria greve de sede caso não houvesse liberação até o dia 6 de outubro.
A Global Sumud Flotilla é uma missão internacional composta por mais de 40 embarcações e 461 ativistas de 40 países. As embarcações foram interceptadas pela Marinha israelense em 1º de outubro, quando navegavam em águas internacionais rumo à Faixa de Gaza. Os organizadores afirmam que o grupo foi sequestrado em mar aberto e levado à força para Israel, onde permanece preso ilegalmente.
Segundo a organização Adalah, que acompanha o caso, centenas de audiências foram realizadas sem aviso prévio e sem direito à defesa legal, em violação a convenções internacionais de direitos humanos. Há relatos de maus-tratos físicos e psicológicos, inclusive de ativistas impedidos de rezar e de mulheres privadas do uso do hijab, denunciou a entidade em nota pública.
O governo brasileiro classificou a ação de Israel como “uma operação militar condenável” e reiterou o pedido para que os ativistas sejam libertados e autorizados a deixar o país imediatamente. O Itamaraty informou que continuará acompanhando de perto a situação para garantir a segurança e o retorno dos brasileiros.














