Os ataques criminosos em Cachoeiras de Macacu passaram a ser debatidos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) após novos episódios de violência registrados no município da Região Serrana. O deputado estadual Bruno Boaretto (PL), morador da cidade, usou a tribuna da Casa para cobrar reforço imediato no policiamento, após ações contra estabelecimentos comerciais e serviços essenciais durante a madrugada.
Segundo o parlamentar, criminosos têm repetido ataques a lojas e provedores de internet, ampliando um padrão que vem se tornando frequente na cidade. Na semana passada, uma das lojas do Shopping Papucaia foi arrombada e incendiada, reforçando o clima de insegurança entre comerciantes e moradores.
Boaretto relatou que o prefeito Rafael Miranda (PP), representantes do comércio local e membros da comissão de segurança do município se reuniram com o comando da Polícia Militar para apresentar denúncias e solicitar apoio. De acordo com o deputado, o comandante-geral, coronel Marcelo Menezes, se comprometeu a reforçar o efetivo na região. Ainda assim, novos ataques foram registrados poucas horas depois.
“Cachoeiras de Macacu é uma cidade pacata, de médio porte, e não pode ficar refém de ações criminosas na madrugada que atingem em cheio o comércio e a população. Isso precisa de resposta rápida e à altura da Polícia Militar”, afirmou o parlamentar, em depoimento no plenário da Alerj.
Tráfico avança sobre serviços essenciais
Cachoeiras de Macacu enfrenta, desde o fim de 2025, uma sequência de ações atribuídas ao Comando Vermelho. Além do tráfico de drogas, o grupo passou a avançar sobre serviços essenciais, especialmente provedores de internet, ampliando o controle territorial.
Relatos indicam que técnicos têm sido ameaçados, veículos incendiados e equipamentos vandalizados. No início de janeiro, um carro de uma empresa de internet foi queimado após funcionários se recusarem a atender exigências criminosas. Em Papucaia, distrito do município, moradores apontam pichações, interrupções forçadas no serviço e coação de profissionais.
Dados da segurança pública mostram que as apreensões de drogas na cidade cresceram cerca de 30% em 2025. Em maio do ano passado, um policial militar de folga foi morto por traficantes na região, episódio considerado um marco no agravamento do cenário local.
Pressão por resposta do Estado
A Polícia Militar informou que o 35º BPM iniciou operações como a AREP I e II para tentar conter os ataques. No entanto, comerciantes e moradores afirmam que as ações ainda não têm sido suficientes para frear a atuação das facções.
No plenário, Boaretto alertou que o problema não se limita a Cachoeiras de Macacu e já se repete em outros municípios do interior fluminense. Segundo ele, a interiorização do crime exige uma resposta coordenada e permanente do Estado. O deputado informou ainda que levará a demanda diretamente ao governador Cláudio Castro, cobrando medidas mais duras e contínuas.
“O bem precisa prevalecer. A população está aflita, amedrontada, e o Estado não pode falhar em garantir segurança a quem vive e trabalha nessas cidades”, declarou o parlamentar, em depoimento à Assembleia Legislativa.














