Assata Shakur morre em Cuba aos 78 anos após décadas de exílio

Assata Shakur

Assata Shakur, militante negra que se tornou um dos nomes mais conhecidos do movimento Panteras Negras nos Estados Unidos, morreu em Havana, Cuba, aos 78 anos. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba e por sua filha, Kakuya Shakur, que confirmou a morte em uma publicação nas redes sociais. Segundo o governo cubano, a causa foi relacionada a problemas de saúde e idade avançada.

Nascida Joanne Deborah Chesimard, Assata Shakur foi condenada em 1977 à prisão perpétua pela morte de um policial durante uma troca de tiros em Nova Jersey, em 1973. Apesar da condenação, ela sempre negou ter disparado contra os agentes, afirmando que estava ferida e de mãos para cima no momento do confronto.

Dois anos após a sentença, em novembro de 1979, Shakur protagonizou uma fuga cinematográfica da Penitenciária Clinton, em Nova York. Com ajuda de membros do Exército de Libertação Negra, seus apoiadores invadiram a prisão, renderam guardas e conseguiram levá-la em liberdade. Ela permaneceu desaparecida até reaparecer em 1984 em Cuba, onde recebeu asilo político concedido por Fidel Castro.

A presença de Assata Shakur em Cuba foi, por décadas, motivo de tensão diplomática entre Havana e Washington. Os Estados Unidos a incluíram na lista dos terroristas mais procurados do FBI, com recompensa milionária por sua captura, e pediram sua extradição em diversas ocasiões. Contudo, o governo cubano nunca cedeu à pressão.

Considerada por apoiadores como vítima de perseguição política, Assata Shakur também se transformou em símbolo de resistência e luta contra o racismo estrutural. Seus escritos e entrevistas publicados no exílio reforçaram seu legado como ativista e referência para gerações que se engajaram em movimentos por justiça racial e social.

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