Assassino de adolescente em Piraí é condenado por feminicídio e ocultação de cadáver

advogadas do Programa Empoderada

O assassino de adolescente em Piraí foi condenado pela Justiça a 35 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por crimes de feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro. Luiz Paulo Alves Vieira Filho, que já cumpria pena por violência sexual contra a mãe da vítima, foi sentenciado pelo Tribunal do Júri de Piraí, no Sul do Rio de Janeiro.

A decisão foi divulgada no último dia 30 de setembro, quase três anos após o crime que tirou a vida de Júlia Hemanuelly de Faria Costa, de apenas 15 anos. O feminicídio ocorreu em 13 de fevereiro de 2023, e o corpo da adolescente foi encontrado dias depois, em área de mata no distrito de Quatis.

Segundo a sentença, Luiz Paulo matou a vítima por esganadura, escondeu o corpo para simular um desaparecimento e ainda utilizou o celular da jovem para enviar mensagens à mãe, tentando forjar uma fuga para outro estado. O documento judicial descreve: “O acusado simulou uma conversa da vítima com sua mãe, mandando mensagens por WhatsApp, com o intuito de induzir a erro os familiares e autoridades policiais.”

A Justiça reconheceu quatro qualificadoras: motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e o contexto de violência de gênero, configurando feminicídio triplamente qualificado.

Condenação anterior por estupro

Em fevereiro deste ano, Luiz Paulo já havia sido condenado a 15 anos e 6 meses por estupro contra Eva Regina de Faria, mãe de Júlia. De acordo com o processo, o homem manteve a mulher sob violência física, psicológica e sexual durante mais de um ano de convivência. O Tribunal de Justiça comprovou que ele se aproveitava do estado de saúde e da sedação causada por medicamentos para forçar as agressões.

Na sentença anterior, a vítima relatou: “Ele me empurrava na parede, batia em meu rosto, fazia sexo anal e usava objetos para ferir. Eu pedia para parar, mas ele não parava.”

Apoio do Programa Empoderadas

O caso teve acompanhamento integral do Programa Empoderadas, iniciativa do Governo do Estado do Rio voltada à proteção e orientação de mulheres vítimas de violência. A mãe da vítima, Eva Regina, recebeu suporte jurídico, psicológico e social da equipe.

A advogada Tayane Caruso, do Empoderadas, destacou: “Essa condenação é uma resposta da Justiça a um crime bárbaro cometido contra uma adolescente em situação de total vulnerabilidade. Ainda que a pena não repare a perda irreparável, representa um passo fundamental no processo de responsabilização.”

Emocionada, Eva desabafou: “Nada vai trazer minha filha de volta, mas o apoio que recebi me deu coragem para acreditar na Justiça. Eu estava no fundo do poço. Hoje, comecei a tentar me levantar.”

Para Érica Paes, fundadora do programa, a sentença simboliza resistência e empatia: “Nossa missão é garantir que nenhuma mulher enfrente a violência sozinha e tenha condições reais de lutar por justiça e reconstruir sua vida com dignidade.”

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