A descoberta de um arsenal na Barra da Tijuca com 240 armas e mais de 43 mil munições levou a Polícia Civil do Rio de Janeiro a aprofundar investigações sobre o envolvimento de empresários com o tráfico de armas e drogas. A apreensão aconteceu em uma mansão no Condomínio Novo Leblon e está ligada à Operação Contenção, que cumpriu mandados em quatro estados e resultou em dez prisões. O principal alvo é o empresário Jhonnatha Schimitd Yanowich, preso em São Paulo, e suspeito de fornecer armamento ao Comando Vermelho.
Na residência de Yanowich, os agentes encontraram 16 fuzis — alguns com silenciadores e dois de calibre restrito —, 20 pistolas, documentos, dinheiro e dois relógios de luxo avaliados em R$ 2,5 milhões. Os moradores da região se surpreenderam com a movimentação policial logo no início da manhã. A operação teve apoio da Homeland Security dos EUA, já que entre as armas havia modelos fabricados nos Estados Unidos, Japão, Israel e Brasil.
Segundo a delegada Patrícia Uana, da 60ª DP (Campos Elíseos), a apreensão do arsenal na Barra da Tijuca é resultado de uma apuração que começou em 2023, após a prisão de três suspeitos em Duque de Caxias. A partir de cadernos encontrados com os detidos, a polícia iniciou o monitoramento de conversas e transferências, desvendando um esquema de compras milionárias de armas e drogas para abastecer favelas controladas pelo CV.
Além das armas, a investigação revelou o papel de Yanowich como possível financiador da quadrilha. Uma das transações suspeitas apontou a compra de um imóvel por R$ 9 milhões que, seis meses depois, foi revendido para um filho menor do empresário por apenas R$ 500 mil. Depósitos fracionados via Pix também levantaram alertas no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que emitiu diversos Relatórios de Inteligência Financeira contra os envolvidos.
Entre os presos também estão o empresário Eduardo Bazzana, dono de uma loja de armas e presidente de um clube de tiro em São Paulo, que teria vendido munições e carregadores ao grupo por mais de R$ 1,6 milhão. O delegado Carlos Oliveira, subsecretário de Planejamento da Polícia Civil, destacou que a operação revela o funcionamento de um “mercado cinza”, onde atividades legais são usadas como fachada para abastecer o crime organizado.
A operação também atingiu o Terceiro Comando Puro (TCP), com a morte de Thiago da Silva Folly, o TH da Maré, em outra ação da Polícia Militar. Segundo as autoridades, facções rivais disputam territórios na Zona Oeste do Rio, como a Muzema, hoje dominada pelo CV.
A polícia continua procurando Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o Zeus Muzema ou Da Roça, apontado como chefe do tráfico na Muzema e comprador de um fuzil .50, capaz de derrubar helicópteros. Planilhas apreendidas mostram compras de mais de R$ 5 milhões em armas feitas por ele nos últimos anos.
O relatório final do inquérito pede o bloqueio de R$ 40 milhões em bens dos investigados. Além de Yanowich e Bazzana, também foram presos: Bruno de Lemo Garcia, Sidney Emerson da Silva, Adriano César de Camargo, César Sinigalha Alvares, João Vinicius Tavares Corrêa, Alexandre da Silva, Rondinei Aparecido de Assis e Silva e Pedro Gustavo da Silva. Até o momento, a reportagem não conseguiu contato com as defesas dos acusados.














