O Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, foi descrito pela Polícia Civil como uma fortaleza do crime no Rio. A definição surgiu após a megaoperação que expôs o arsenal “incalculável” do Comando Vermelho (CV) — considerado um dos maiores já identificados no estado. O material inclui centenas de fuzis, granadas, drones e até fardas do Bope, usados pela facção em confrontos e ações de guerra urbana.
De acordo com as investigações, o poder de fogo do grupo é de difícil mensuração. Entre os equipamentos apreendidos, há fuzis de calibres variados, como AK-47, AR-10 e M16, além de miras ópticas e munições de grosso calibre. As armas estão distribuídas entre diferentes chefes e soldados do tráfico, dentro de uma estrutura hierárquica e militarizada, com disciplina rígida e códigos internos.
Imagens obtidas pela polícia mostram traficantes posando com 22 fuzis, evidenciando o tamanho do arsenal. Muitos armamentos são personalizados com símbolos e adesivos — como logotipos de marcas de luxo e inscrições como “CV” e “Tropa do Urso” — reforçando a ostentação e o sentimento de poder dentro da facção.
Entre os principais líderes, está Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, apontado como responsável por organizar e distribuir o arsenal. Ele comanda a “Equipe Sombra”, braço estratégico do CV dedicado à expansão territorial e ao treinamento de novos integrantes. Em vídeos analisados pela polícia, BMW aparece em meio à mata, com roupas camufladas, simulando combates e instruindo comparsas na pedreira do Complexo da Penha — epicentro dos recentes confrontos.
BMW é visto como o principal estrategista do Comando Vermelho e símbolo da estrutura de guerra montada na Penha. Seus fuzis customizados — um deles com o logotipo da marca BMW — se tornaram ícones da hierarquia interna e do controle territorial exercido pela facção.
Além das armas, o CV utiliza drones para monitorar ações policiais e antecipar incursões. Em mensagens interceptadas, criminosos discutem a compra de equipamentos com visão noturna, ampliando a capacidade de vigilância nas áreas de mata e vielas. A polícia também constatou o uso de fardas do Bope e uniformes camuflados, usados para despistar as forças de segurança.
A Polícia Civil compara a estrutura da Penha à do Complexo do Alemão, com barricadas reforçadas, pontos de observação e rotas de fuga planejadas. O controle é total: o CV determina quem entra e sai da comunidade, administra o comércio e age como uma força paralela ao Estado.
Relatórios revelam ainda a existência de funções definidas dentro da organização, como transporte de armas, cobrança de propinas e segurança de bailes. Um dos nomes citados é Washington César Braga da Silva, o Grandão, também chamado de “Síndico”, que atua como gestor da comunidade e garante o funcionamento da estrutura criminosa.
Com o fortalecimento de líderes como BMW e o acúmulo de armamentos, a Penha se transformou em uma base de guerra urbana. Para as autoridades, o local é hoje o epicentro do poder armado do Comando Vermelho — e o maior desafio à segurança pública do estado.
O bairro, antes apenas reduto do tráfico, tornou-se uma fortaleza do crime no Rio, equipada e organizada para sustentar confrontos de alta intensidade. Uma estrutura que revela o quanto o poder paralelo ainda se impõe sobre o território carioca.














